Guerra e Paz, Lev Tolstoi (1865)

O final do verão e o início do outono fica marcado pela empreitada de ter lido o Guerra e Paz, um dos maiores clássicos da literatura mundial que estava há anos nos meus planos pessoais. Como seria de esperar, fica muito longe de desiludir. É uma belíssima obra.

Entrei muito bem no livro, acho que porque há uns tempos fiquei encantada pela adaptação de 2016 da BBC que vi na televisão. Também já há algum tempo que não lia em português, e a edição que li, traduzida diretamente do russo para português por Nina Guerra e Filipe Guerra, tornou o exercício ainda mais saboroso. A história está dividida em quatro partes, e na minha cabeça correspondem a: a sociedade russa do século XVIII, a arrebatadora história de amor entre Natasha e Andrei, a Guerra, e, por último, a invasão de Moscovo e as grandes reflexões sobre a Guerra e a liberdade dos homens.

O livro é um romance histórico, e retrata a época das guerras napoleónicas na Rússia. É muito interessante porque emparelha dois mundos muito diferentes, muitos próximos, mas que parece que não queriam admitir a sua proximidade. Uma sociedade de luxos, festas, mexericos, superficialidade e muito francesa, heranças de Catarina a Grande. E uma guerra latente, a aproximar-se, prestes a matar os seus filhos e os maridos.

As personagens são retratadas ao detalhe, e é quase cinematográfica a descrição que faz em certos momentos. O que pensam, o que sentem e o que mostram. Faz-nos ficar muito próximo de todos. Por outro lado, lança umas bombas de vez em quando muito bruscas, e numa frase ficámos a saber que alguém morreu, desistiu ou fugiu.

Primeiro, as cinco famílias principais. A história de amor. Lembro-me de ler no autocarro, correr para casa, sentar-me na cadeira para acabar de ler o que a Natasha se atrevera a fazer. Ou de chegar ao trabalho e sentar-me na secretária para perceber o desencadear de determinada batalha. É muito cativante.

Por outro lado, toda a história é escrita à sombra do fatalismo de Tolstoi. Não há livre-arbítrio, não há nada que o homem faça que determine nada, mesmo quando ele acha que sim. Mesmo o livre-arbítrio é determinado por inúmeros fatores contextuais, e isso dá um teor ridículo a toda a guerra e a todas as estratégias e lideranças que ocorreram, e que são descritas “em tempo real” juntamente com os pensamentos dos principais intervenientes, incluindo Napoleão. Há um episódio em particular onde os russos ganham uma batalha mas os franceses é que dizem que a ganham que é maravilhoso.

Gostei muito, e honestamente, o Epílogo corta um bocado a moca de se chegar ao fim das histórias de todas as famílias.

A mais clássicos maravilhosos lidos com avidez!

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PR5 – Trilho Águia do Sarilhão

Na semana que passou fiz a primeira atividade com os meus novos miúdos. Agora são mais velhos (14-18 anos), e têm muita vontade de fazer coisas. Para os sintonizar na mesma frequência que eu, levei-os ao Gerês, e como era o começo, fizemos o percurso mais pop do PNPG, o Trilho da Águia do Sarilhão.

Tenho o objetivo de ir para sítios onde consigamos ir de transportes públicos por isso fomos para o Campo do Gerês, onde fizera poucas semanas antes o descanso da Grande Rota da Serra Amarela.

Este trilho surpreendeu-me muito pela positiva. É bastante fácil, passa por zonas muito bonitas, e é muito fresco. A meio do percurso começamos a ver a barragem de Vilarinho das Furnas, e tentámos ir à aldeia submersa, mas fomos impedidos por uma caçada ao javali (não autorizada, pelo que percebi).

Esta foi uma das melhores partes. Os medronheiros e carvalhos faziam um corredor belíssimo para nós passarmos.

Até que chegámos à aldeia do Campo do Gerês e fizémos alguns jogos no campo em frente ao Museu Etnográfico. Andar ao sabor dos transportes da aldeia é assim, saber que se tem um para ir e outro para vir, e aprender a esperar.

A minha avaliação 7/10.

Bored to Death,Jonathan Ames (2009-2011)

Quando cheguei da Eslováquia passei muitos meses a procurar emprego e a ver séries, que era uma atividade que não tinha ainda o hábito de fazer. O L. aconselhou-me esta na altura (2010) e lembro-me de gostar muito. Com a HBO em casa agora decidi rever, e que fofinha que é esta série, cheia de atores de que gosto muito a desempenharem papéis de personagens muito interessantes. Jonathan Ames é um escritor que vive à sombra do sucesso do seu primeiro livro e não consegue começar a escrever o seu segundo. Decide pôr um anúncio da Craigslist onde diz que é um detetive privado (sem licença). E a série emparelha estas pequenas aventuras a resolver casos, cheias de referências alusivas aos filmes de suspense antigos, com a sua vida de um moderno jovem de 30 anos e os seus amigos.

É muito refrescante e boa para desligar a cabeça.

Joker, Todd Phillips (2019)

Todo o hype é merecido. Joker é um grande, grande, enorme filme, e o que não faltam são odes e discursos ao desempenho do Joaquin Phoenix e à realização brilhante e sufocante de Todd Phillips. A banda sonora, as cores, tudo contribui para um ambiente de “sofrência”, que é toda a vida de Arthur.

O filme é só sobre uma coisa, e é por isso que é tão forte e nos deixa atordoados a sair do cinema. Este filme é sobre a doença mental, e só se aproveita de uma história familiar e da maldita Gotham City para abordar o assunto. Como o doente a vê (the worst part of having a mental illness is that all people expect you to behave as if you don’t) e como os outros (nós) os tratamos. É ser apanhado por um camião.

PR3 – Fisgas de Ermelo

No final de setembro fomos fazer um percurso que já estava na nossa lista há algum tempo, situado no Parque Natural do Alvão: o trilho das Fisgas do Ermelo ( Informação oficial e o registo Strava)

O percurso tem início na acolhedora aldeia de Ermelo.

E arranca num belo riacho coberto por carvalhos frescos.

É nesta zona mais ampla que se começam a ver as famosas Fisgas de Ermelo, que são cascatas que desaguam numas apetitosas lagoas.

O percurso é fácil, verdejante e fresco. A zona das lagoas é mesmo boa para mergulhos de Verão.

A minha avaliação: 6/10.

1 Second Everyday – Setembro 2019

Setembro começou em Lisboa, não pelos melhores motivos. Em Braga, almoços com antigas colegas e o aniversário da minha mãe, entre petiscos e família. A noite branca, com concertos e cultura, onde adorei descobrir alguns museus da cidade. O último concerto doa Diabo na Cruz, que foi muito bom. O casamento de um amigo em Sesimbra que nos fez viver todos na mesma casa durante dois dias, e deixou vontade de repetir o feito. Descobri os melhores gelados que já comi junto da R. que nos fez uma visita relâmpago, e o L. comprou uma bicicleta que estreou à chuva. Estive com a minha querídíssima Carolina (que me chama Joaninha e me derrete assim), e comecei uma nova e desafiante etapa nos escuteiros, onde agora lidero os Pioneiros. Falando em bebés, foi também em setembro que nasceu um bebé que já adoro e estou ansiosa por conhecer, a O.! Setembro foi muito marcado pela Guerra e Paz, que estou quase quase a terminar, e teve uma caminhada soalheira pelas Fisgas de Ermelo.


September started in Lisbon, not for the best reasons. In Braga, I had lunch with old colleagues and my mother’s birthday, between snacks and family. The White Night, with concerts and culture, where I loved to discover some od the cit’s museums. The last concert by Diabo da Cruz, which was very good. The wedding of a friend in Sesimbra who made us all live in the same house for two days, and now we want to repeat the feat. I found the best ice cream I’ve ever eaten and L. bought a bike that he debuted in the rain. I was with my dearest Carolina (who calls me Joaninha and melts my heart), and I started a new and challenging stage in the scouts, where I now lead the 14-18 aged scouts. September was War and Peace, which I am almost about to finish, and had we made a sunny hike through the Fisgas de Ermelo.