How Music Works, David Byrne, 2012

Comprei este livro em 2015, no início do meu doutoramento sobre perceção de som. Disseram-me que o livro falava sobre o efeito que o espaço tinha na música, e, por exemplo, porque é que o punk é tão rápido (porque é tocado em espaços pequenos com pouca reverberação) e as músicas de Haendel são tão lentas (porque eram compostas para serem tocadas em espaços como igrejas, com muito eco). Estes são apenas dois exemplos, porque o livro fala também sobre música africana, a música de Mozart, e o efeito que o frou-frou das saias das senhoras poderia ter no som que se tocava naquelas salinhas.

Acontece que esse é apenas o primeiro capítulo. Se no início fiquei triste por isso (tinha adorado ler o primeiro capítulo), depois fui ficando muito satisfeita por o livro ser muito mais enciclopédico do que isso. Para começar, está muito bem escrito. É agradável de ler, porque é muito honesto, despretensioso, e Byrne partilha muito a sua visão e a sua experiência enquanto músico. Depois, é um livro muito bonito. Está muito bem ilustrado, muito cuidado nesse aspecto.

Finalmente, em termos de conteúdo, é realmente didático no que diz respeito a música. Fala de tudo, desde como começar uma cena musical, a como funcionam as finanças no mundo da música, quem são os intervenientes, que ideias erradas as pessoas têm sobre o estilo de vida dos músicos, como funcionam os serviços de streaming, os inícios da música gravada, as variações da notação musical. Enfim, conseguia falar muito sobre o livro, e nem parece que demorei quatro anos a lê-lo!

Aconselho, aconselho, aconselho! Além de tudo isto, é um ótimo livro de consulta. David Byrne, não te conheço muito bem, nem à tua música (se bem que há uns tempos andava vidrada nesta banda sonora), mas gostei mesmo muito de te “ouvir” assim.

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PR10 – Trilho do Vento

Ontem fizemos o Trilho do Vento, que começa no Parque Eólico das Terras Altas de Fafe. Fafe é completamente desconhecido para mim. Quando passo por lá acho a terra bonita, verdejante, e então esta sugestão de uns colegas veio a calhar, para começar a colmatar essa falha.

O início é interessante. Nunca estive tão próxima de uma eólica, e elas são mesmo enormes! Por isso estamos todos banzados a olhar para cima nas primeiras fotografias. O som que fazem é também particular, hipnótico, quase aconchegante. Sobre elas, não sei o que achar. Na verdade a paisagem fica adulterada, com certeza a fauna também, mas valerá a pena pelo bem que fazem às populações em redor.

O início é “interessante” por outro motivo. O trilho está muito mal mantido, e as silvas consumiram o que deveria ser o caminho de terra batida. Os primeiros dois quilómetros (de catorze), demoraram mesmo muito tempo porque estávamos constantemente à procura da marcação enquanto nos desenvencilhávamos das silvas e outras ervas daninhas.

Mas depois dessa parte a paisagem melhora bastante. O percurso, pelo que percebemos, é um favorito para os praticantes de rally e downhill (passaram por nós muitas motos e jipes). Mas a partir de certa altura começámos a atravessar carvalhais, vimos cavalos, ovelhas, cabras e começou a aparecer muita água que pedia formas criativas de a atravessar.

O dia foi longo (mais de 5h de caminhada quando o previsto eram 4h30) mas o percurso foi relativamente fácil. Terminou da melhor forma com uma mini em Gontim, que tinha este coreto, tinha motas, velhotes a apanhar sol, e chanson française a vir de uma casarota.

A minha avaliação é de 5/10. Gostei de conhecer um cantinho de Fafe, a parte final do percurso é realmente muito bonita, mas o facto de o caminho não ter manutenção nenhuma fez com que se perdesse muito tempo no início.

PR3 – Trilho da Nascente do Rio Este

No mês de fevereiro fiz duas vezes este percurso. Uma de preparação, e outra com os meus miúdos, intercaladas com jogos e atividades. Nos dois dias, o tempo estava ótimo, frio e soalheiro, e deu para conhecer a nascente do rio que atravessa Braga. Imagino sempre as nascentes a jorrar água, e não um fio como era o caso. De qualquer modo, a nascente do Rio Este está num parque super agradável e até lá passa-se pela via romana XVII, muitos carvalhos, e muitas placas com explicações interessantes. Tenho a certeza que os miúdos aprenderam muito. Se alguém quiser, posso enviar por e-mail o jogo que fiz com perguntas para irem respondendo pelo caminho.

O percurso situa-se na freguesia de Este S. Mamede. É muito acessível, tranquilo, e bonito.

A minha avaliação 5/10.

1 Second Everyday – Janeiro 2019

1 Second Everyday – Janeiro 2019

Decidi pegar em vários touros pelos cornos este ano. Tenho que terminar a parte experimental do meu doutoramento, ler 12 livros, fazer 12 caminhadas e correr 500km.

No primeiro dia do ano fui para a praia com meus pais. Dei algumas aulas de Design Emocional com um grande final, comi uma Francesinha com o Nuno e a minha família e cantei as Janeiras. O nosso frenesim de caminhadas começou com um belo trilho na Galiza. Corri muito pouco e encontrei um velho colega. Tive um domingo muito nostálgico e filmei o meu pai a contar velhas histórias. Então, peguei as cassetes VHS e vi algumas no leitor VHS dos meus pais. O fundador do meu grupo de escuteiros completou 80 anos e nós demos-lhe uma bonita festa. Fiz outra caminhada com L. e as minhas primas, e foi divertido. Depois, organizamos uma festa para 10 na nossa casa e foi super bom. Passei toda a semana seguinte no hospital a fazer gravações sonoras. E o mês terminou com um jantar de despedida que acabou por não ser um jantar de despedida.

Estou feliz com este mês, consegui resultados interessantes depois de ter anunciado as minhas intenções. Também estou a apreciar cada vez mais o tempo que passo com minha família.


I have decided to grab several bulls by the horns this year. I have to finish the experimental part of my PhD. I have to read 12 books, make 12 hikes and run 500km.

In the first day of the year I went to the beach with my parents. I gave some Emotional Design classes with a great ending, ate a Francesinha with Nuno and my family, and sang the Janeiras. Then our hiking galore began with a beautiful trail in Galicia. I ran very little and met a good old colleague. I had a very nostalgic Sunday and filmed my father telling old stories. Then, I grabbed the VHS tapes and saw a few on my parents VHS reader. The person who founded my scouts group turned 80, and we gave him a beautiful party. I made another hike with L. and my cousins, and it was fun. Then, we hosted a party for 10 at our house and it was lovely. I spent the entire following week at the hospital making sound recordings. And then a goodbyw dinner which turned out not to be a goodbye dinner.

I am happy with this month, I have accomplished interesting results after I announced the world my intentions. I am also appreciating everytime more the time I spend with my family.

PR4 – À volta do Rio Este – Percursos de Braga

A Câmara Municipal de Braga lançou há cerca de dois anos uma aplicação da qual gosto muito chamada “Percursos de Braga”. O perfil existe também no wikiloc, onde os utilizadores podem comentar o estado do percurso, ou modificações que tenham de ser feitas entretanto.

Porque tínhamos saído do país no fim de semana anterior, neste dia queríamos fazer uma caminhada mais perto, e decidimos conhecer melhor uma zona de Braga que não conhecemos nada bem: Cunha, Ruílhe, Arentim e Tebosa, freguesias entre as quais passa o Rio Este.

A caminhada começou no novo parque de Cunha, que apesar de estar fechado, pareceu ser muito moderno e muito agradável, com zona de mesas, sombras e moinhos. Como estava fechado tivemos de o contornar, e logo ali a inaugurar o dia estava a acontecer uma matança do porco. Quando passamos já estava a ser chamuscadinho, mas ouvimos os seus gritos pelo caminho.

E o passeio foi muito agradável, pois ora estávamos a atravessar a linha de comboio, ora estávamos no meio de quintas a ver cabaças estranhas.

Almoçámos no campo de futebol de Ruílhe, e continuamos a viagem de regresso (o percurso é circular). Passamos por mamoas em Cunha, por penedos enormes e uma mata bem bonita. O trilho estava muito bem sinalizado, com placas explicativas em cerca de 15 pontos. Havia só um desvio temporário e sem o GPS não conseguiríamos dar com os caminhos sugeridos.

O percurso no Wikiloc aqui.

A minha avaliação: 5/10. Gostei muito da caminhada, valeu muito a pena por conhecer zonas de Braga onde nunca passa. Contudo, as paisagens não são extraordinárias, e damos sempre menos ao que nos é familiar. Talvez um dia venha aqui ajustar!

Ruta de Padrendo

A primeira caminhada do mês de Janeiro foi a Ruta de Padrendo, na Serra do Xurés, parte espanhola da Serra do Gerês.

As estradas estavam cobertas de gelo, por isso a viagem foi lenta e cuidadosa, e chegamos ao ponto de partida pelas 11h. Fomos subindo, acompanhados por riachos e carvalhais, uma paisagem bem molhada, bem verde, bem bonita.

Quando regressamos a Padrendo, ainda era dia e passou por nós um senhor que ia às vinhas buscar as suas “ovelhicas”. Contou-nos que era filho do Júlio, de Montalegre, e que sempre o conheceu só com uma mão. No dia em que perdeu a mão, numa explosão nas Minas das Sombras, foi de carro para o Gerês e depois de ambulância para Braga e aí, como não havia bancos de sangue, mataram um vitelo para fazer uma transfusão. Foi a história do dia.

A descrição do L. no wikiloc: ” No inicio do trail à entrada de Padrendo, inicia-se logo a subida pelo rio acima. O carro pode ficar logo ali. No inverno, o sol da manhã está à esquerda atrás do monte e faz sombra, ficando o caminho frio. É possível entrar em alguns dos moinhos que vão aparecendo pelo caminho e que percorremos com temperaturas de 0 ou próximo. Havia muito gelo, com alguma beleza. Ao chegar cá acima é como se o céu abrisse e o sol bateu aquecendo um pouco quando o corpo já tinha aquecido da subida inicial. Ficamos num caminho aberto com a Serra Sta Eufémia em frente. Uma boa vista. O desnível abranda bastante e segue-se em curva por uma estrada batida larga. Ao dar a volta vê-se Portugal e ouve-se uma cascata ao fundo. Aproveitámos uma pedra, em estilo de miradouro e parámos para comer e conversar. Retomámos o caminho com uma descida até Torneiros – pelo caminho virámos para o lado contrário e voltámos atrás. O caminho na aldeia não estava bem sinalizado e andámos lá às voltas para evitar a estrada que passa junto a Lobios e aos banhos quentes. O caminho a partir de Torneiros é quase sempre pelo bosque. Antes de chegar ao convento de Padrendo, passámos pelas bodegas. Pensei que em último caso nem era mau sitio para passar a noite. O caminho acaba percorrendo a aldeia de Padrendo que agora parece maior do que aparentava de manhã. Acabamos o passeio a conversar com um pastor da aldeia, de origens portuguesas. Estando em Espanha também estávamos em Portugal.”

A minha avaliação: 8/10