A segunda vez que falo em Albert Kahn

Em 2013 escrevi isto.

E agora, vejo eu que não sabia da missa a metade. É a segunda vez que falarei de Albert Kahn e passará a ser o meu Evangelho: serei missionária do seu trabalho, irei visitar o seu Museu, terei fotografias do seu espólio na minha casa!

A RTP 2 teve a feliz ideia de passar todos os 9 episódios da série da BBC “O maravilhoso mundo de Albert Kahn”. Apercebi-me que quase tudo soava a novidade, e isso era porque não tinha visto os seus episódios na Indochina, Israel, no Benin, e na África do Norte.

O mote era simples: o mundo estava a mudar e Kahn queria documentar (fotografia e vídeo) o máximo de tradições e estilos de vida, sem interferir, sem artificialismos. Contratou uma horde de fotógrafos profissionais e enviou-os por todo o mundo.

O espólio é riquíssimo, e Kahn, que ficou na bancarrota após o crash de 1929, conseguiu salvá-lo dos nazis que vasculharam a sua casa em busca de nomes de judeus ricos. Kahn morreu em 1939, na sua cama, e só décadas mais tarde é que se redescobriu o tesouro que guardava na cave da sua casa parisiense.

As fotografias mais bonitas das mulheres na Indochina.

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Os escrivãos que se orgulhavam assim de nunca ter trabalhado num arrozal na vida.

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As primeiras fotos a cores do Benim, onde registou também as primeiras cerimónias voudu em vídeo.

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E os povos nómadas de Marrocos.

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Não é incrível? A visão dele permitiu ter algum registo de um mundo que já não existe: um mundo sem fronteiras, de harmonia entre religiões e povos. O interessante foi ter captado justamente isso, pois toda a I GGM ficou registada, e é evidente um antes e um depois.

Le cerveau d’Hugo, Sophie Révil (2012)

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O cérebro de Hugo é um retrato muito íntimo de crianças e jovens autistas e dos seus pais. De como foi difícil o diagnóstico, de como muitos perderam anos de vida em hospitais psiquiátricos, e de como muitos pais foram culpados pelos médicos pelo autismo dos filhos! Chocou-me particularmente haver tantos casais com mais do que um filho autista, e lembrou-me muito um livro que a J. me emprestou, e adorei na altura (quando éramos todos comportamentalistas): Let me hear your voice, da Catherine Maurice. Que lutas admiráveis.

Mars, National Geographic (2016)

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Esta produção da National Geographic é espantosa. Emparelha todo o conhecimento adquirido até 2016, juntando os maiores especialistas do espaço e de Marte, com uma utopia em 2037 quando finalmente se consegue enviar a primeira expedição a Marte. Com o pouco que sei, parece muito realista, com inúmeros problemas a acontecer no Monte Olimpo em Marte a esta pequena equipa de colonos.

1 Second Everyday – Maio 2017


Em maio tivemos uma festa surpresa, cozinhamos, aprendemos, fizemos pão, ouvimos gaitas de foles e o desporto de “tapear” foi devidamente praticado. Houve a Braga Romana sob muita chuva, mas são sempre uns dias muito divertidos. Cortei o cabelo e aconteceu o Salvador – mas que nunca nos esqueçamos do representante de Montenegro.


In May we had a surprise party, cooked, learned, made bread, heard bagpipes and the sport of tapeo was duely practised. There was Braga Romana under a lot of rain, but it’s always a fun couple of days. Oh, and I cut my hair and there was also Salvador – but let’s never forget Montenegro.

Objectified, Gary Hustwit (2009)

OBJECTIFIED

Há umas semanas fui a um evento, e numa conversa, ao descobrirem o que eu faço, recomendaram-me este documentário. À medida que o via comecei a achar demasiado flagrante nunca o ter visto antes – depois percebi que faz parte de uma “trilogia” onde se insere este documentário também. É um conjunto de designers e artesãos a refletir sobre o design do produto, e em todo o processo que envolve criar algo (e lidar com o facto de esse algo poder ser descartado). É fácil de o encontrar online, vale a pena.