1 Second Everyday – Abril 2016

Abril passou-se muito debaixo do solo num arquivo morto. Teve algumas saídas, imenso Carcassone e conversas sobre Carcassone, um postal da Islândia, brilho nas unhas, Skypadas, muito ensaio para a Braga Romana, um serão de Catan, um regresso falhado ao livro do Game of Thrones, danças várias para um grande acampamento, cravos no 25 de abril, a chegada do sol,  e finalmente com ele, finos em esplanadas.

April was mainly spent underground in a dusty old archive. I did go out a bit, played a lot of Carcassone, talked a lot about Carcassone, got a postcard from Iceland, put some glitter on my nails, I skyped a bit, rehearsed a lot for Roman Braga, spent an evening playing Catan, tryed – and failed – to go back to reading Game of Thrones, danced several dances for a great camping, got carnations for the 25th of April, and the sun arrived, which finally meant beers outside.

Narcos, Andrés Baiz, Fernando Coimbra, Guillermo Navarro, José Padilha (2015)

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A série introduz o estilo de “realismo mágico”, associado a alguns autores colombianos para descrever algo demasiado estranho para ser verdade.

Assim é toda a vida de Pablo Escobar, retratada nesta série desde o primeiro camião com cocaína nos pneus, até ao seu império bilionário com milhares e milhares de dólares enterrados por todo o país. O que foi feito para o conseguir é demasiado surreal para ser verdade, mas assim foi.

Parks and Recreation, Greg Daniels, Michael Schur (2009-2015)

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Passámos uns belíssimos serões, às vezes juntos às vezes solos, a ver todas as sete temporadas de Parks and Recreation.

Os episódios são bem moderados, 20 minutos de comédia e filmagens ao estilo do The Office. O departamento de Parques da câmara municipal de Pawnee é retratado no seu dia a dia, que passa de deprimente a uma grande família, com as melhores personagens das séries de comédia dos últimos tempos.

Vejam que faz muito bem!

The Boxer: The True Story of Holocaust Survivor Harry Haft, Reinhard Kleist

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Herschel Haft nasceu na Polónia e tinha 14 anos quando a sua cidade de  Bełchatów foi das primeiras a ser invadida pelo exército nazi. No seio de uma família judia, rapidamente se viu condicionado pela pobreza e pela fome imposta pelos nazis. Com os seus irmãos, e após a morte do seu pai, montam um negócio de contrabando.

Assim vão vivendo, até que um dia todos os homens recebem uma notificação para se registarem. O seu irmão mais velho vai, e o jovem Hertzko, que ainda não tinha idade para ser convocado, começa a ouvir alguns homens dizer que quem se regista…já não volta. Temendo pelo irmão, Hertzko corre para o local do registo e encontra o seu irmão ainda à espera. Conta-lhe o que ouviu, e diz ao seu irmão para fugir. Decide então distrair os oficiais fingindo-se de bêbedo, e causa ali no meio da papelada algum celeuma, que o irmão aproveita para fugir. Os oficiais reparam, e decidem prender Hertzko para descobrir quem é que tinha fugido. Valente, não diz. Ao valente, entalam-lhe uma mão numa porta com toda a força. Valente, não diz nada. Ao valente, partem-lhe os ossos da outra mão, e ele continua sem dizer nada. “Não adianta”, pensam eles. “Vai este mesmo”. E atiram-no para um camião. Que depois será um vagão. Que depois se abrirá num campo de trabalho, o primeiro de muitos.

É assim, por acaso mas inevitável, que este miúdo de 14 anos fica completamente sozinho. Este rapazinho, impulsivo e tempestuoso, bronco mesmo, que não sabia ler nem escrever, tem o melhor instinto de sobrevivência, e desde a primeira viagem no vagão de gado decide que vai sobreviver – há uma menina envolvida, claro.

O seu primeiro trabalho é como Kommander, mas felizmente caiu nas graças de um oficial que o foi mudando para trabalhos mais leves a troco de alguma subtil pilhagem.

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Este mesmo oficial vê neste rapaz um potencial de entretenimento nos novos eventos de boxe das festas SS. Convida-o a lutar, treina-o, oferece-lhe umas luvas. Os companheiros de Hertzko aperceberam-se que ele é um protegido. Hertzko vai-lhes oferecendo o que pode, sabe que tem de estar bem com todos.

Chega o primeiro combate. Dizem-lhe que o seu oponente é um voluntário, lutará a troco de mais uma ração. Ao vê-lo, Hertzko percebe que não é voluntário nenhum. Está fraco, tão débil. Hertzko ganha o combate. Nunca mais vê o homem. Faz mais de 70 combates em campos de extermínio, ganha todos, nunca sabe o destino de quem perde. Desconfia.

E é esta a vida dele. Com o aproximar do exército vermelho as SS são cada vez mais duras, e as marchas da morte decorrem uma a seguir a outra. Ele vai sobrevivendo, com um dos irmãos. Com medo de morrer, decide fugir numa delas. E consegue. E vive escondido na floresta, mata, rouba, sobrevive e é encontrado por soldados americanos.

Vai para a América. Continua a praticar boxe. Luta contra o Rocky Marciano e perde.

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Casa-se, tem filhos. Nunca fala do que passou. É extremamente violento, pouco afetuoso. O filho tem vergonha dele, não gosta muito do que ele representa – o imigrante polaco que fala mal inglês e é o pobre dono de uma mercearia – mas só muito mais tarde descobre que o seu pai foi um dia “o animal judeu de Jaworzno “.

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A história é-lhe contada já em velho. Harry Haft (nome que adotou nos EUA), nunca leu outros relatos nem validou as suas memórias. Contou tudo tal e qual. E assim foi relatado, tal e qual, bronco, sem grandes emoções.

 

No tasco aqui ao lado

Eu gosto muito do meu trabalho e penso sobre ele fora de horas. O meu trabalho questiona-se como podemos conceber produtos, tecnologias, sistemas focando-se nas pessoas que os vão utilizar e como irão interagir com eles. Às vezes fazem-se as coisas sem pensar em quem as vai usar, sem pensar que só as fazemos por causa das pessoas.
Por isso gosto de reflexões sobre como quem faz o mesmo que eu – que consegue lidar com e controlar pequenos produtos em pequenos projetos – deve comportar-se perante os produtos e projetos de agora, que são muito complexos, muito longos, muito ambiciosos. Coisas como serviços de saúde, transportes autónomos, cidades inteligentes.

Bem, tudo isto para dizer que escrevi umas quantas coisas aqui ao lado. Não o faço muitas vezes, mas hoje acordei para aqui virada: https://futurscientist.wordpress.com, o primeiro é este.

1 Second Everyday – Março 2016

Não sei muito bem porquê, este é um dos meus vídeos preferidos.

Março começou com umas formações novas até tarde, o que significava jantares com o L. Os miúdos preparavam as miniaturas que iriam ser em breve mesas e cozinhas em tamanho real. Fui a Lisboa ouvir sobre Usabilidade, vi muito Parks and Recreation – que adoro – e passei alguns serões sozinha. Fui acampar e senti-me velha. Mas pela primeira vez comi uma francesinha em campo. Dancei muito, trabalhei bastante e finalmente começo a recolher dados com participantes. Passámos a Páscoa em Lisboa, visitámos o avô, brincámos com o sobrinho, fomos comprar uma mala com o Ismael, fui a mais nova num serão caseiro de minis e acompanhei o velhote na National Geographic.

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I don’t know why, really, but this is one of my favourite vídeos.

March started with a new trainning up until late, which meant eating out with L. The kids prepared the miniature constructions which later became real size tables and kitchens. I went to Lisbon to hear about Usability, saw a lot of Parks and Recreation – which I love – and spent some nights alone. I went camping and felt old. Nevertheless we ate francesinha for the very first time in camp. I danced a lot, worked a lot and finally I’m collecting data with participants. We’ve spent Easter in Lisbon, visited the grandparents, played with the nephew, bought a case with Ismael, I was the youngest at an indoor beer night and I’ve watched National Geographic with the old man.