1 second everyday – Março 2015

Um mês muito atarefado, de muita correria. Reuniões à noite, refrescantes idas a Lisboa, vendas de garagem, demos, aulas abertas de danças gregas, coursera, voltar (temporariamente) para a casa dos pais, uma casa nova, um casamento muito bonito com Galandum Galundaina, limpezas, mudanças, caixotes, uma ida ao hospital, assistir às montagens IKEA de perna ao alto.

O Sol Nasce Sempre (Fiesta), Ernest Hemingway

A primeira guerra terminara há poucos anos e os mesmos que combateram nela passeiam-se por Paris. Todos eles ingleses ou americanos, todos desterrados, todos estranhos à terra mas completamente embrenhados no reboliço da capital francesa.

Há raparigas, há muito alcool, música, uma aparente agitação que preencheria os mais jovens. Mas não. Vazios, desmotivados, maldizem Paris, só querem sair de lá. Experimentam Espanha. Os touros. O vinho. O calor. Todos tão genuínos. Os touros. O toureiro. Mas todos perdidos em toda a parte. Uma geração de baratas tontas.

A leitura foi cronologiamente acertada, depois do Grande Rebanho. Mas muito mais lenta, por não haver um enredo na verdade. São todos interessantes, mas estão todos perdidos.

Headhunters, Morten Tyldum (2011)

Tenho-me esquecido de registar tanto o que ando a ler como o que ando a ver.

Há umas semanas, às cegas, começámos a ver um filme norueguês chamado Headhunters. O protagonista tinha tudo para ser feliz, e mantinha-se graças a um part-time sui generis: roubava obras de arte e geria uma pequena rede através da qual as vendia.

Eventualmente – e não por causa do roube de arte – tudo, mas tudo, começa a correr mal. E é tão intenso, incrível e improvável que se fica com a respiração em suspenso bem até ao final.

Foi uma excelente surpresa, gostei muito deste filme, e recomendo-o.

AYA of Yop City, Marguerite Abouet & Clément Oubrerie (2005-2010)

Esqueci-me de falar no livro Aya que li rapidamente nas férias de Natal!

Finalmente uma novela gráfica africana: nunca vi nenhuma! E esta desenrola-se numa Costa do Marfim dos anos 80, em pleno crescimento, com imenso otimismo, liberdade, e quebra de barreiras.

A ilustração enche-nos de cores quentes, quase cheiros quentes e ensina-nos muitas características culturais. Presta muita atenção aos tecidos, à comida, à disposição das casas, etc.

A personagem central é Aya, uma jovem inteligente e bonita que é um bocadinho diferente das suas amigas tresloucadas. Assistimos a mulheres que lutam pela educação, dignidade e emancipação da figura feminina; mas também a jovens que se submetem a tudo para conseguirem o homem rico dos seus sonhos que as levará a Paris.

Acima de tudo é um livro muito divertido, que transmite toda a cultura, toda a côr e toda a mentalidade da época, e tem inclusive um apêndice onde explicam como confecionar algumas receitas, e como e quando vestir os trajes típicos. Ou como segurar um bebé. É muito giro.