Leto 2015 – Perspetiva mobile

Foram as minhas primeiras férias com um smartphone. Foi diferente. Registei tudo. Fotos, vídeos, sons. E ficam registos breves e autênticos do que foi.

As fotos.

IMG_1338

Manta Rota às 21h00.

IMG_1347

Estação de Vila Nova de Cacela.

IMG_1367

Praia Don’Ana, Lagos.

IMG_1374

Maranhão.

IMG_1383

Praia do Carvalho, Lagoa.

IMG_1392

IMG_1398

Mais Maranhão.

IMG_1400

A feira mensal de Vila Nova de Cacela.

IMG_1417

Cacela Velha.

IMG_1446

Castro de Baroña, Galiza.

IMG_1447

Castro de Baroña, Galiza.

IMG_1449

Castro de Baroña, Galiza.

IMG_1452

Castro de Baroña, Galiza.

IMG_1458

Castro de Baroña, Galiza.

IMG_1465

Faro do Louro, Galiza.

IMG_1466

Faro do Louro, Galiza.

Leto 2015

Aqui vai um breve registo do que foram estas apetecidas e merecidas férias!

Cacela Velha

Este aldeamento fica mesmo entre Manta Rota e Tavira, com vista para a Ria Formosa e ao lado da Praia da Fábrica, recentemente eleita como uma das melhores do mundo. Com uma clara herança muçulmana, esta pequena aldeia é muito luminosa e tranquila, parece-me perfeita para umas férias, e pareceu-me também ter um andamento cultural muito giro no mês de Agosto, com concertos no cemitério antigo.

DSC_3389

Há barcos que fazem o transporte entre Cacela e a praia. Há também quem se aventure por entre os viveiros de ostras e termine com os pézitos todos cortados.

DSC_3394

Porto do Son, Galiza

Voltamos sempre à nossa querida Galiza, tão perto de casa, e mais uma vez num registo low-cost. Que é o meu preferido, muito convenientemente.

Ficámos no parque de campismo de Punta Batuda em Porto do Son. Tem excelentes condições e a praia mesmo à frente.

DSC_3427

Chama-se Playa Hornanda e é pequenina e muito agradável. A água é calma – ria – e não é tão fria quanto se possa pensar!

DSC_3483

DSC_3488

Castro Baroña, Galiza

Esta praia estava na lista de praias a visitar porque tem um antigo castro em muito boas condições mesmo ao lado da praia. Chegámos bem cedo e a praia estava deserta, a água límpida, as areias brancas. Mas à medida que o tempo ia passando e as pessoas iam chegando, apercebemo-nos que é uma praia de nudistas! Fica o aviso à população, mas podem estar lá tranquilitos e vestiditos.

DSC_3431

Faro do Louro, Galiza

No dia seguinte, e como não podia deixar de ser, choveu. Desmontámos e rumámos a Fisterra para rematar um Caminho de Santiago que fizemos em 2009. Percorremos a chamada Costa da Morte, por ter um mar inóspito que já causou inúmeros naufrágios. Parámos do Farol de Louro, e a praia, mais uma vez, limpa, deserta e enorme.

DSC_3500

DSC_3507

Fisterra fez jus à fama, e estava enevoada, com muita gente, muito frio e muita chuva. Mas o mar fazia-se ouvir contra as rochas, e o cenário é digno de um fim da terra.

DSC_3519

Para alguns peregrinos, o Caminho termina aqui.

DSC_3534

Para nós, depois de um almoço na vila à beira-ria de Muros, terminou também.

Fup, Jim Dodge (1983)

Li este livro pequeníssimo há dez anos atrás. Sei-o porque então era uma bookcrosser muito ativa, e com este livro fiz o meu primeiro e único bookring, que consistia em circular o livro por quem o qusiesse ler, e depois ele regressava a casa. Este livrinho tão pequenino viajou durante dois anos pelos Estados Unidos e Alemanha, e depois voltou para mim em Braga.

Nestas férias reli-o numa tarde, e voltei a rir-me imenso.

Um velho que acha que é imortal, o seu meigo neto chamado Tiny e um pato gigante chamado Fup (Fup Duck, get it?). Com uma escrita maravilhosa, um ambiente de américa rural e um humor tramado polvilhado aqui e ali, é uma leitura obrigatória!

The Diaries of Jane Sommers, Doris Lessing (1984)

A saga de escoar os livros que não são meus continua. Li The Diaries of Jane Sommers que a Joana me emprestou há…cinco, seis anos? Já o começara a ler então, mas felizmente não consegui continuar. Digo isto porque acho que agora o saboreei com a calma merecida, com a maturidade adquirida entretanto. Foi o meu livro de férias.

O livro foi primeiro lançado sob um pseudónimo da prémio nobel em dois volumes: The Diary of a Good NeighbourIf The Old Could. O prefácio da edição que li conta a conturbada história desta publicação “desconhecida”, e como a única editora que aceitou publicar esta Jane Sommers foi a mesma que aceitou, há anos e anos passados, publicar uma Doris Lessing.

O livro deu-me um abanão. É um relato muito pessoal, um assistir aos pensamentos de uma mulher. Uma mulher forte, bem sucedida, bela, inteligente, solitária por opção. A morte do marido, e depois da mãe fazem-na aperceber-se do quão inútil foi para eles, como se deixou estar ausente até desaparecerem da sua vida.

Instintivamente, torna-se amiga de Maudie, uma velha que conhece na farmácia, que resmunga, movimenta-se com dificuldade, é doente, vive só com um gato no meio das memórias de pobreza e sofrimento. A afeição entre ambas leva a um compromisso enorme de Jana para Maudie, mais do que alguma vez imaginara. E a afeição estende-se a outras velhinhas, que outrora não vira na rua, mas de um momento para o outro vê-as em todo o lado.

Fez-me pensar. Nos velhos, sozinhos, dependentes contra vontade.

Foi sobretudo isso. O segundo volume é ainda mais turbulento, uma história de amor de primeiro amor quando se tem cinquenta anos e a vida em cima a impedir algo novo.

Tracks, Robyn Davidson (1977)

Decidi ler todos os livros que me emprestaram. Estão destacados, na horizontal, frente à arrumação habitual dos meus.

Este livro “Tracks” veio da longínqua Austrália, e foi uma surpresa muito boa de ler. Trata a história de Robyn Davidson, australiana, e que no auge da sua juventude, da rebeldia dos anos 60, no auge da segregação e discriminação racial entre “europeus” e aborígenes – decide atravessar o deserto australiano rumo ao mar, com três camelos e um cão.

A história é essa, mas detalhadamente escrita desde o início, quando aprendeu a lidar com os animais, quando esteve prestes a desistir, quando finalmente vai e encontra as paisagens mais belas e abandonadas, e as pessoas mais quentes e as mais idiotas.

É muito crítico ao que estavam a fazer aos aborígenes. Mas acima de tudo, é um livro de descoberta pessoal, sem ser lamechas e foleiro. A autora escreve, descreve extraordinariamente bem, e é um abanão muito giro. Porque nunca foi particularmente corajosa nem determinada, mas tudo levou a que isto acontecesse…e assim foi.