A música do mês de outubro 2019

Vivo com o L. que pensa muito em música, e é uma das coisas que mais gosto nele, porque pensa para ele e pensa para mim e pensa para nós. Há folhas excel envolvidas, claro. E há métodos de seleção cuidadosamente pensados, e assim ouvimos durante o jantar músicas que me apanham imediatamente. E uma delas foi esta do John Fahey. Chama-se Old Fashioned Love e vale a pena ouvir para lá do minuto, que foi o que me fez dançar na cozinha.

Espero que gostem.

Election, Alexander Payne (1999)

Era domingo à noite, tínhamos acabado de chegar de uma viagem longa à chuva torrencial e queria um filme fácil. Escolhi este pela imagem, pela sinopse e pela Reese Witherspoon. Parecia adequado.

O caraças! Se estava à espera de uma comédia adolescente, estava bem enganada. Tem todo o aspeto disso, e é surpreendente justamente por isso. É um retrato bastante dark de umas eleições para a associação de estudantes de um liceu. É a história de um professor dedicado, adorado pelos alunos que desenvolve um desagrado inexplicável pela aluna perfeita, e que faz de tudo para que ela não ganhe. E esse odiozinho e esse rancor fazem-no tomar decisões muito más.

Foi giro de ver!

1 Second Everyday – Outubro 2019

Em outubro comecei a conhecer os meus miúdos novos no melhor ambiente possível: o Gerês num dia soalheiro. Depois os domingos do costume com os meus pais. Fui vencedora da Bolsa de Instrumentos da PédeXumbo e agora vou aprender a tocar a concertina, que era um objetivo que tinha para a minha reforma mas olha, antecipei (o objetivo, não a reforma). Apresentei os melhores gelados de sempre a muita gente e vi muito Larry David que é o meu cómico preferido. Comi a minha pizza preferida e despedi-me da minha queria Patrulha Pato Marreco. Trabalhei com eles nos últimos três anos nos Exploradores e não podia ter equipa mais trabalhadora, presente e solidária. Fiz recolhas com utilizadores e remodelações na nossa nova sede. E é assim este outubro!


In October I started getting to know my new kids in the best possible environment: Gerês on a sunny day. Had the usual Sundays with my parents. I won PédeXumbo’s Instrument Grant and now I am going to learn how to play the concertina, which was a goal I had for my retirement but I anticipated it (the goal, not the retirement). I introduced the best ice cream ever to lots of people and saw a lot of Larry David who is my favorite comedian. I ate my favorite pizza and said goodbye to my beloved Duck Patrol. I worked with them for the last three years at the Scouts and could not have a more hardworking, present and supportive team. I made user tests and refurbishments at our new headquarters. And this is how it was this October!

Big Little Lies, David E. Kelley (2017-2019)

Esta cambada de estrelas prometia, e é uma série muito no feminino, com todo o tipo de perfis, num ambiente muito dado ao suspense e a coisas escondidas. Um cenário perfeito à beira mar, mas sempre meio cinzento. Todas elas são conhecidas, todas elas escondem segredos, e todas elas ficam amigas e unidas por uma grande mentira que se acrescentou às pequenas mentiras que acumulavam.

Vi os episódios em viagem entre Braga e Trancoso e é uma série muito cativante e bem conseguida.

Paula Rego, Secrets and Stories, Nick Willing (2017)

Anjo, Paula Rego (1998)

Lembro-me deste quadro na Casa das Histórias em Cascais. Toda a gente tem um quadro que nos faz coisas (a primeira vez que senti isso foi com este, em Londres, o que me surpreendeu muito na altura), e este Anjo da Guarda da Paula Rego fez-me o mesmo, mas em modo de invasão, sem meiguices em tons pastel.

A Paula Rego é bastante familiar porque é a pintora preferida do meu irmão. Mas eu não conhecia nada sobre a vida dela, e este documentário, realizado pelo seu filho, revela que pouca gente sabe.

Aqui ela conta a sua vida desde moça num país fascista, até adolescente fascinada com a vida de artista em Londres. Os seus amores, amantes, abortos, devoção, trabalho, trabalho, trabalho. A sua depressão de que se lembra desde criança. E assim, a entrançar a vida real com as pinturas que faz, vamos percebendo o imaginário grotesco um bocado melhor. O engraçado (e que bate muito certo) é que fala do grotesco e monstruoso com a maior doçura.

De como ilustrou o aborto à semelhança e em honra das suas experiências pessoais, de como quis desenhar a Virgem Maria como uma mãe adolescente, de como as mulheres cão representam o seu amor, devoção e obediência ao marido. De como se identifica com os contos tradicionais mais trágicos, sendo os portugueses os piores de todos os que estudou. É tudo escuro, de traço grosso, mas belíssimo. E fica ainda mais bonito com a história dela.

Guerra e Paz, Lev Tolstoi (1865)

O final do verão e o início do outono fica marcado pela empreitada de ter lido o Guerra e Paz, um dos maiores clássicos da literatura mundial que estava há anos nos meus planos pessoais. Como seria de esperar, fica muito longe de desiludir. É uma belíssima obra.

Entrei muito bem no livro, acho que porque há uns tempos fiquei encantada pela adaptação de 2016 da BBC que vi na televisão. Também já há algum tempo que não lia em português, e a edição que li, traduzida diretamente do russo para português por Nina Guerra e Filipe Guerra, tornou o exercício ainda mais saboroso. A história está dividida em quatro partes, e na minha cabeça correspondem a: a sociedade russa do século XVIII, a arrebatadora história de amor entre Natasha e Andrei, a Guerra, e, por último, a invasão de Moscovo e as grandes reflexões sobre a Guerra e a liberdade dos homens.

O livro é um romance histórico, e retrata a época das guerras napoleónicas na Rússia. É muito interessante porque emparelha dois mundos muito diferentes, muitos próximos, mas que parece que não queriam admitir a sua proximidade. Uma sociedade de luxos, festas, mexericos, superficialidade e muito francesa, heranças de Catarina a Grande. E uma guerra latente, a aproximar-se, prestes a matar os seus filhos e os maridos.

As personagens são retratadas ao detalhe, e é quase cinematográfica a descrição que faz em certos momentos. O que pensam, o que sentem e o que mostram. Faz-nos ficar muito próximo de todos. Por outro lado, lança umas bombas de vez em quando muito bruscas, e numa frase ficámos a saber que alguém morreu, desistiu ou fugiu.

Primeiro, as cinco famílias principais. A história de amor. Lembro-me de ler no autocarro, correr para casa, sentar-me na cadeira para acabar de ler o que a Natasha se atrevera a fazer. Ou de chegar ao trabalho e sentar-me na secretária para perceber o desencadear de determinada batalha. É muito cativante.

Por outro lado, toda a história é escrita à sombra do fatalismo de Tolstoi. Não há livre-arbítrio, não há nada que o homem faça que determine nada, mesmo quando ele acha que sim. Mesmo o livre-arbítrio é determinado por inúmeros fatores contextuais, e isso dá um teor ridículo a toda a guerra e a todas as estratégias e lideranças que ocorreram, e que são descritas “em tempo real” juntamente com os pensamentos dos principais intervenientes, incluindo Napoleão. Há um episódio em particular onde os russos ganham uma batalha mas os franceses é que dizem que a ganham que é maravilhoso.

Gostei muito, e honestamente, o Epílogo corta um bocado a moca de se chegar ao fim das histórias de todas as famílias.

A mais clássicos maravilhosos lidos com avidez!

PR5 – Trilho Águia do Sarilhão

Na semana que passou fiz a primeira atividade com os meus novos miúdos. Agora são mais velhos (14-18 anos), e têm muita vontade de fazer coisas. Para os sintonizar na mesma frequência que eu, levei-os ao Gerês, e como era o começo, fizemos o percurso mais pop do PNPG, o Trilho da Águia do Sarilhão.

Tenho o objetivo de ir para sítios onde consigamos ir de transportes públicos por isso fomos para o Campo do Gerês, onde fizera poucas semanas antes o descanso da Grande Rota da Serra Amarela.

Este trilho surpreendeu-me muito pela positiva. É bastante fácil, passa por zonas muito bonitas, e é muito fresco. A meio do percurso começamos a ver a barragem de Vilarinho das Furnas, e tentámos ir à aldeia submersa, mas fomos impedidos por uma caçada ao javali (não autorizada, pelo que percebi).

Esta foi uma das melhores partes. Os medronheiros e carvalhos faziam um corredor belíssimo para nós passarmos.

Até que chegámos à aldeia do Campo do Gerês e fizémos alguns jogos no campo em frente ao Museu Etnográfico. Andar ao sabor dos transportes da aldeia é assim, saber que se tem um para ir e outro para vir, e aprender a esperar.

A minha avaliação 7/10.