Clarabóia, José Saramago (1953,2011)

Claraboia

Este livro tem uma história engraçada. Escrito em 1952, por um jovem Saramago, foi então recusado por uma editora. O manuscrito foi guardado, cada vez mais fundo nos confins da editora, até que o redescobrem, e propõem-se a editá-lo e Saramago terá dito “só por cima do meu cadáver” é que este livro será publicado. E assim foi, Clarabóia tornou-se no seu primeiro lançamento póstumo em 2011. Claro que eu só soube disto no final do livro, e durante toda a leitura, que foi tão agradável, tão meiga, tão sem aquelas provocações e deambulações do Saramago, achei que o personagem Silvestre, um velho e sábio sapateiro, era um reflexo do escritor no final da vida, a refletir sobre o que ela é, o que a faz valer a pena. Acontece que, se continuarmos o paralelismo cronológico, Saramago então poderia ser o jovem Abel, um pessimista, um niilista que vivia a “cortar tentáculos” com as coisas.

Como disse, o livro é meigo. A cadência é simples, as histórias miúdas. Retrata um prédio com os seus habitantes, famílias simples, pobres. No meio do deprimente, do triste, há sempre pequenos vislumbres do que estas pessoas são, que são mais do que a impressão que se tem delas. Têm sonhos, têm paixões, têm muita sabedoria e têm muita experiência. Têm vontades e tomam decisões. As histórias para lá das janelas e das portas de um prédio, são sempre muito mais complicadas do que o desenhamos rápido quando pensamos nelas.

1 Second Everyday – Julho 2016

O Agosto está a ser tão rápido que até hoje não tive tempo de mostrar o Julho! Então pois bem: Em julho começaram os banhos de sol com uma visita do irmão, um novo desafio escutista aprovado por unanimidade, fui ver algum teatro de rua – em geral, mau – e Portugal foi Campeão Europeu de futebol. Estive com amigas de agora e de outros tempos, estive muitas vezes com os miúdos para preparar uma grande atividade, joguei Carcassone e li um livro muito bonito do Saramago. O mês terminou com um casamento maravilhoso, no festival Ceremony’16.


August is running so fast that only today did I have the time to post July! So: in July the sunbathing season began with a visit from the big brother, a new scout challenge was approved unanimously, I saw some street theater – mostly bad – and Portugal won the Euro2016. I was with friends from now and from back then, I spent a lot of time with the kids to prepare a big activity, I played Carcassone and read a very beautiful book from Saramago. The month ended with a wonderful wedding, at Ceremony’16 festival.

Free State of Jones, Gary Ross (2016)

THE FREE STATE OF JONES

Passado no Mississipi, Newt passa de enfermeiro do exército da Confederação, a líder de um pequeno exército de desertores e escravos. Vai refletindo sobre os valores dos esclavagistas, vai conhecendo escravos, e vai formando uma ideologia forte e justa de igualdade.

A história é baseada em factos reais, e deixou-me com muita vontade de descobrir mais sobre a guerra civil americana. Está cristalizada a decisão de que gosto mesmo muito do Matthew McConaughey. E tendo em conta este passado tão recente, até se compreende um bocadinho da América de hoje.

Rodrigo Amarante

Tive a minha fase de ir a concertos sozinha, experimentar. Ir sem conhecer. Não fazia isso há alguns anos e o Rodrigo Amarante foi o motivo para o ter feito esta semana.

E foi um bom concerto, não há nada a não gostar num brasileiro simpático, com músicas bonitas, e muitas histórias. Ajudou gostar da música que fez para a série Narcos. Ajudou ainda mais gostar muito (e em segredo, mesmo muito) de Los Hermanos.

A fazer mais vezes!

1 Second Everyday – Junho 2016

Junho trouxe finalmente o Verão. Começou com visitas importantes no trabalho e para mim, a Joui! A rotina habitual, os miúdos do costume (mas aqui quietos). Muito trabalho a aparecer de repente, e muita, muita da fofíssima Carolina. Um descanso por Trancoso, com visitas e muito comes. Começou o Euro 2016 e os encontros com amigos para ver a bola. Nos escuteiros aceitei um novo desafio, e enquanto dá, vou para esplanadas. Comi sardinhas e fêveras. Comi chamuças a ver a bola. Fiz caminhadas, atingi o pico da tensão com o Game of Thrones e, como sempre, dancei. Antes de pisar a praia pela primeira vez este ano.

Mas que mês!


June finally brought along the summer. It started with important visits at work and, for me, Joui! The usual routine, the usual kids (only this time they’re quiet). A lot of work showing up all of a sudden and a lot, a lot of the sweetest baby Carolina. Some peacefulness in Trancoso, visiting people and eating a lot. Euro 2016 has started and with it, the reunions with friends to see the matches. In the scouts, I’ve accepted a new challenge, and while I can, I go to the esplanade. I ate grilled sardines and meat. I ate samosas while watching football. I walked, reached the peak of tension with Game of Thrones and, as always, danced. Before stepping on the sand for the first time this year.

Yep, great month.

Musicophilia, Oliver Sacks (2007)

musicophilia-1

Estou na fase da vida em que penso muito na mortalidade das coisas, das pessoas. De como tudo de um dia para o outro pode mudar, como um aglomerado de partículas pode trancar o sangue e assim perderem-se memórias, hábitos, consciência. Este livro não é sobre isto, mas para mim foi. As histórias de pacientes brilhantes, músicos, académicos, que de um momento para o outro se viram vítimas de doenças incapacitantes, mas no meio das quais a música oferecia uma nesga de esperança e de vislumbre do que uma vez foram. Também há histórias contrárias, onde a música é uma maldição constante. O livro é, acima de tudo, sobre a maravilha do nosso cérebro, e como a força da música é tão grande, sendo também ainda um grande mistério.