Category: serviço público

Parks and Recreation, Greg Daniels, Michael Schur (2009-2015)

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Passámos uns belíssimos serões, às vezes juntos às vezes solos, a ver todas as sete temporadas de Parks and Recreation.

Os episódios são bem moderados, 20 minutos de comédia e filmagens ao estilo do The Office. O departamento de Parques da câmara municipal de Pawnee é retratado no seu dia a dia, que passa de deprimente a uma grande família, com as melhores personagens das séries de comédia dos últimos tempos.

Vejam que faz muito bem!

99% Invisible

Não sei se já falei aqui da minha adição a podcasts. Um dia escrevo sobre os meus preferidos. Mas é um vício que me acompanha há mais ou menos um ano. (Joui, ainda tenho este post guardado para ouvir os teus favoritos.)

Há um que oiço regularmente, oiço os arquivos, faço refresh semanalmente – e confesso, me fez querer criar um podcast. Mas falta aquela voz. É o 99% Invisible do Roman Mars.

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A descrição trata-o como um podcast sobre design, mas para mim é um podcast para pessoas curiosas com fenómenos de design, de sociologia, de religião, de manias, de ciência, de tudo em geral. Os episódios são muito curtinhos, e são sobre temas mesmo engraçados e divertidos. Por exemplo, como criar um país, como aconteceram alguns desastres aéreos, erros de arquitetura, para onde vai o correio perdido, comunidades malucas dos anos 60, etc etc.

A investigação é cuidada. O relato acessível e muito bem feito.

Mas este post é sobre um que me marcou e me fez escrever sobre ele. Foi este, chamado Bathysphere (sim, sim, claro que começou com esta música). Versa sobre as tentativas de investigação do fundo do mar, e da luta contra a pressão que destruiu inúmeras expedições a profundezas desconhecidas.

Gostei da história por trás da batisfera criada. Como o criador e o investigador não se entendiam mas tinham de partilhar um espaço minúsculo, ventilado com ventoinhas e ligado a um telefone.

Gostei particularmente do funcionamento da exploração do fundo do mar. Lá, eles viam criaturas incríveis, monstruosas, luminosas, nunca antes vistas! Do outro lado da linha do telefone, num barco à superfície do mar, estava a ilustradora científica Else Bostelmann. Eles descreviam o que viam, e ela desenhava. Ninguém acreditava que aquilo poderia ser verdade, mas era, e as ilustrações acabaram por figurar na National Geographic.

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Estes pioneiros fascinam-me. A criatividade e paixão é imensa, e graças a eles crescemos mais um bocadinho. Até ao abismo.

Hendrik Nicolaas Werkman

Há uma semana fui a Groningen. Sozinha, com muita chuva, fui ver alguns museus. Às cegas, e um pouco reticente, fui ao Groninger Museum. Já sabia que a entrada com desconto era 10,00€ (!!!), mas fui.

Tinha duas exposições temporárias, e uma delas, a de H.N. Werkman, fez-me sentir aquilo que se sente muito raramente com arte. Eu pelo menos. Lembro-me de sentir com Seurat uma “coisa”, e com o Werkman senti o mesmo.

Os seus trabalhos eram muito limpos, simples, de experiências que fazia na sua tipografia. Gostei mesmo muito, e fiquei cheia de vontade de experimentar como ele, com composições em blocos de cores, pensei até em como fazer algo parecido com…carimbos de batatas!

Werkman, depois da invasão alemã da Holanda em 1940, começou a distribuir uma publicação clandestina chamada The Blue Barge. Publicaram cerca de quarenta números, todos concebidos e ilustrados por Werkman. Em 1945 foi preso pela Gestapo e executado por um pelotão de fuzilamento, três dias antes da libertação de Groningen.

Ceci n’est pas une résolution

Desativámos a Internet cá por casa. A altura é propícia a resoluções, mas não foi o caso. Além do descontentamento com o serviço, queríamos experimentar viver sem Internet.

Porque temos filmes para os próximos 4 anos, livros para duas vidas, fios de tricot para 30 camisolas e, enfim, um doutoramento cada um.

Não é minha intenção fazer o relato da “experiência”, mas talvez despolete artigos diferentes.

Continuaremos a estar conectados enquanto estivermos no local de trabalho.

Efeito #1, e já em jeito de serviço público: Estou vidrada nos podcasts da BBC World Service. Têm 30 minutos de duração e são perfeitos para deslocações, estender a roupa, adormecer, acordar…! Hoje já ouvi testemunhos das mães de jihadistas, um documentário sobre um hospital psiquiátrico em Guatemala e uma tertúlia sobre a heroicidade na 1GGM.

Acho que vou apostar nos podcasts no futuro próximo.