Category: filmes

14 Diaries of the Great War, Jan Peter (2014)

O centenário da Grande Guerra foi celebrado com muita sobriedade, e com muito rigor. Acompanhei os podcasts da BBC com registos audio da biblioteca nacional britânica, entrevistas aos sobreviventes realizadas há décadas atrás e todas as histórias são, para mim, fascinantes.

E ser fascinante é um problema. Remete para o pouco real, o cristalizado, analisável, estanque.

Esta série foi diferente. Está organizada de uma forma muito interessante, com vídeos da época e muito boas recriações históricas. Tudo narrado com excertos de diários reais, escritos na incerteza das trincheiras, das casas saqueadas, dos hospitais cheios de gritos.

Pela primeira vez pensei que tudo o que lemos sobre a IGGM foi escrito por pessoas que souberam entretanto como terminou e como deveriam então analisar a conjuntura que conduziu a. Mas ouvir os diários tem um toque completamente diferente. Percebemos a leveza com que todos embarcaram na aventura que era a guerra, como acreditavam que ia ser rápida, como eram patrióticos. E depois com o passar do tempo como questionavam tudo, como se embebedavam, empederniam, e vagueavam exaustos. Os diários são interessantes porque são incertos. Por acaso já sabemos o fim, mas aquelas 14 e mais pessoas que ouvimos, não faziam a mais pálida ideia.

Felizmente a série está toda disponível aqui, e recomendo mesmo.

Assim fiquei a conhecer a minha nova heroína, Marina Yurlova, que com 14 anos e espírito cossaco decidiu ir atrás do pai, convocado para combater pela Rússia. Passa assim por exércitos, tiroteios, prisões, hospitais, a história mais mirabolante cheia de graça e coragem.

Imbuída deste espírito documental, alinhei na iniciativa da europeana.eu que incentiva pessoas a transcreverem os diários de guerra para formato digital. Podem ler mais sobre a Transcribathon aqui.

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En man som heter Ove, Hannes Holm (2015)

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Quando alguém se propõe a ver um filme sueco, não espera que seja tão doce, fofinho e cómico. “Um Homem chamado Ove” é mesmo isso, a história de um homem chamado Ove que preza a ordem, a limpeza, a simetria e faz questão de o mostrar sem problemas de simpatia.

Ove sente-se só após a morte da sua mulher, e tenta suicidar-se muitas vezes. Mas, e apesar de todo o seu método, é sempre interrompido!

Revolutionary Road, Sam Mendes (2008)

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Yaycks.

Este filme, dependendo de onde se está numa relação, pode cair bem, pode cair mal. É um acompanhar meio claustrofóbico da vida de um casal jovem, que se apaixona e segue o curso normal das vidas a partir daí. Uma casa, dois filhos, empregos de que não se gosta, inúmeras coisas que não se dizem mas são elefantes dentro de casa.

Vivem perseguidos pela ideia de que a vida é noutro lugar, e quando se apercebem que nunca poderão usufruir dela, é o fim.