Category: visitas

Carrazeda de Ansiães

Foi Carnaval e para mim isso significa, desde sempre, quase ininterruptamente, um acampamento, uns passeios ao ar livre, livre de espelhos, de pessoas, de trabalhos, de internet.

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Este ano fui para Carrazeda de Ansiães, Douro vinhateiro. Terra de bom vinho, boas maçãs e bom azeite (e boas pessoas, como sempre em Trás-os-Montes). Depois da viagem de comboio até Tua, isto.img_4040

O início da época das amendoeiras em flor.img_4045

A maravilha que é saltar para uma carrinha de caixa aberta e andar, andar por aí, perder chapéus que voam com o vento e enregelar as mãos – mas não importa.img_4055

Porque depois chega-se aqui, a este sítio desenhado e harmonioso.img_4065

E por perto espera-nos um lanche bem recheado de alheiras, chouriças, porco bísaro em vinha d’alho – na brasa.img_4068

Calcorreámos a velha linha do Tuaimg_4073

E é assim. Digam o que disserem, o escutismo é o sítio onde se fazem coisas memoráveis. É onde respiram ar puro, pedem boleias, comem diferente, comem bem, comem mal, depende, porque são eles que cozinham, e se cortam, e se enganam e lavam loiça que se fartam. É aqui que contrariados fazem coisas chatas, como lavar casas de banho e balneários, mas é aqui que podem cantar nos montes e andar sozinhos e andar sujos e fazer coisas que não fariam em mais lado nenhum – isto é sério. E isto é uma bela vida.16996190_10209491732789034_8162170356231146733_n

Barcelona, 10 anos depois

Há dez anos atrás, quando estava em Granada (!!!), fui numa fugida a Barcelona com a R. Nessa altura andava sem cartão multibanco porque tinha ficado preso numa máquina, e então ela ia-me dando a minha mesada que era transferida para a conta dela. Em Barcelona, por motivos patetas, zangámo-nos e ela foi embora mais cedo. Então eu fiquei, e vagueei sozinha pela cidade, andei muito mesmo muito, como quando se está só num sítio novo. Adorei os bairros, as lojas. Decidi que gostaria de viver lá, aquela vida tão vibrante, adorei. Comprei algumas prendas para a minha família, até me aperceber que ainda tinha uma viagem de regresso por fazer (e por comprar). Dei por mim sem dinheiro, a comer as prendas, mas lá consegui regressar – e fazer as pazes com a R.

Isto tudo para dizer que era uma cidade que estava bem gravada na minha memória, pelos eventos, e pelo encanto que senti.

E queria, por isso, visitá-la de novo com o L. Mas em dez anos muda muita coisa, e as cidades também. E não sei se fui eu ou a cidade ou nós as duas, mas o encanto foi diferente!

Barcelona é muito elegante, imponente, bonita. Mas estava completamente lotada turistas (sim, como nós), e depois de fazermos o percurso da praxe, decidimos não nos preocuparmos tanto com o turismo, e fazer algo que nos deixa feliz: comer, beber y playa! E assim foi, comemos muito bem, e passámos o máximo de tempo possível no Mediterrâneo.

E foi muito bom, e não sei se é o tempo ou o outro tempo, mas a visita sôfrega de cidades já não me entusiasma. Já me tinha apercebido que os sítios novos devem-se deixar embeber, com calma, e esta viagem foi o veredicto.

Ah, pudéssemos nós ir bebendo cidades devagarinho!

Fiães do Rio

Com os turnos do L. não temos propriamente fins de semana como sempre tivéramos até agora, por isso fui encaixando dois dias de férias a meio da semana o longo do ano. Este mês fomos até Fiães do Rio, bem perto de Montalegre.

Deu para descansar imenso, apanhar muita chuva, dormir num verdadeiro yurt da Mongólia, e dizer olá de novo à Ponte da Misarela.

Estas escapadelas vão saber mesmo bem!

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Arménia

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Eu tenho, desde há muito tempo, uma fixação por um país pouco habitual. Não é exótico, não é muito quente nem muito frio. Não é bem europeu, não é bem asiático, não é bem. Faz fronteira com Bizâncio e Pérsia e o seu monte Ararat, reza a lenda, guarda a verdadeira Arca de Noé.

A Arménia (e a Geórgia, bem diferente mas anexa no meu fascínio) tem as minhas músicas tradicionais preferidas. Tem a Tamzara e belos Shorors. Tem as minhas danças preferidas (quer sejam mais encenadas ou mais populares), quase invariavelmente acompanhadas pelo instrumento mais triste, o duduk.

Foi um interesse que começou com a música e com a dança, curiosamente. Achava que aquelas músicas melodiosas, tristes, carregavam a história extraordinariamente longa e inacreditavelmente sofrida deste país, berço de tanta coisa.

Vou sempre lendo, dançando, vendo. Depois vejo que há quem mostre o país como ninguém, e há até quem lá vá dançar e passear!

Então comecei a fazer uma coisa que nunca faço, que são as contas à vida. E decidi que vai deixar de ser um interesse virtual, à distância, e vou lá. O guia está encomendado, os livros selecionados, e vai-me dar todo o gozo preparar esta viagem. Espero dar lá um saltinho em 2017. Percebe-se porquê, certo?

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Entretanto sucede que fiz 30 anos. Trinta, tranquilos, sem grandes reflexões, até porque os tempos têm sido bem bem bem agitados.

Decidimos ir até à Suiça visitar a Joui, que por lá se vai instalando numa nova colmeia.

A Suiça sempre me passou ao lado. Conheci Bern, que achei muito pitoresca na altura. Mas as associações que fazia ao país não eram as mais simpáticas, e não sei porque motivo, nunca considerava o que tem de melhor: A Natureza.

Para que conste, sou agora alta entusiasta das visitas à Suiça, desde que com umas botas na mala.

Quando chegámos, fomos recebidos pela nossa anfitriã que nos levou a passear por Genéve. Depois, já em Lausanne, fomos passear pelo Lac Léman, que começa assim a criar suspense no visitante…

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Para num bac o visitante se deparar com isto. Uma bruma de fim da tarde sobre uma paisagem belíssima, num ambiente tranquilo onde todos passeiam, correm, ouvem música ou lêem.

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Esta sou eu, com trinta, perfeitamente ciente que o melhor está para vir.

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O jantar de aniversário anunciava-se com o domínio das joaninhas, mas no que diz respeito à comida, apenas uma joaninha dominava, a outra comia e comia e comia.

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A experiência gastronómica suiça inaugurou-se com Raclette. Batatas cobertas com queijo que pode ser enriquecido com bacon, pimentos ou cogumelos. Nhom nhom (desde o bryndzové halusky que sou a maior fã de comida de camponeses das montanhas).

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O dia seguinte reservava-nos o espanto #1, com cenários dignos de windows desktops. Fomos de carro até Charmey e fizemos um lindo percurso que nos levou até junto de vaquinhas, pontes, gargantas e barragens lindíssimas.

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O destino final era a aldeia de Gruyéres, com passagem por Broc.

Os percursos pedestres na Suiça estão muito bem marcados, com todas as indicações a aparecer quando necessário.

Este é o estado de Joui em 80% do tempo das caminhadas que faz: a fotografar.

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No final da caminhada, chegámos à belíssima vila de Gruyéres, e bota fino.

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A noite foi de descanso e de outra comida suiça de que não me lembro, mas aposto que metia queijo, e era boa.

Sábado de manhã! O nosso grupo já podia receber o precioso contributo do quarto elemento, Z. O programa era de visita à cidade de Lausanne, por isso o pequeno almoço foi bem reforçado.

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E o passeio por Lausanne levou-nos ao muito interessante museu de Art Brut, a novos quarteirões muito dinâmicos, à catedral e a simpáticas zonas antigas. Muito interessante também foi termos feito isto tudo antes de “sair à noite” (fomos a um concerto Gospel!) e “saímos à noite” ainda antes de jantar! Enfim, países sem GMT, incrível.

O jantar: Fondue de queijo, moitié-moitié (meio queijo Gruyére e meio queijo Vacherin Fribourgeois).

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E o dia seguinte era o dia em que nos iam mostrar os Alpes! O destino escolhido foram os Alpes de Valais, e começámos um trilho que começava em Mauvoisin. O trilho era interessante, a atravessar por longos e profundos túneis que cortavam toda a duração da montanha. Era histórico, e mostrava-nos ao longo do caminho o processo de construção da barragem que tínhamos ao lado…e não víamos porque estávamos dentro de um túnel.

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Mas depois, isto.

Isto foi das paisagens mais bonitas que já vi na vida, e fez-me pensar no meu top de paisagens impressionantes. Já vi algumas (lembrei-me da Islândia, de quando subi Dumbier na Eslováquia…) mas esta vai definitivamente para lugares cimeiros.

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Éramos tão pequeninos no meio de tudo.

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Uma tradição.

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Mesmo pequeninos (aqui nos apercebemos que tudo o que houvéramos descido, tínhamos de subir)

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E subimos até aqui, com muita neve! E a descida de regresso não foi a mais simples, mas foi a mais derrapante concerteza.

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E assim terminou a nossa primeira visita a Lausanne. Foi uma viagem super revigorante, de quatro dias, mas que me fez pensar que quando bem planeados, quatro dias são perfeitos para a) descansar a cabeça do trabalho b) conhecer um sítio, desde que com a orientação certa. E a orientação foi certa, foi da minha querida Joui! Que preparou tudo ao nosso gosto.

 

Obrigada, e estamos apenas a duas horas de distância.