Category: avulso

No tasco aqui ao lado

Eu gosto muito do meu trabalho e penso sobre ele fora de horas. O meu trabalho questiona-se como podemos conceber produtos, tecnologias, sistemas focando-se nas pessoas que os vão utilizar e como irão interagir com eles. Às vezes fazem-se as coisas sem pensar em quem as vai usar, sem pensar que só as fazemos por causa das pessoas.
Por isso gosto de reflexões sobre como quem faz o mesmo que eu – que consegue lidar com e controlar pequenos produtos em pequenos projetos – deve comportar-se perante os produtos e projetos de agora, que são muito complexos, muito longos, muito ambiciosos. Coisas como serviços de saúde, transportes autónomos, cidades inteligentes.

Bem, tudo isto para dizer que escrevi umas quantas coisas aqui ao lado. Não o faço muitas vezes, mas hoje acordei para aqui virada: https://futurscientist.wordpress.com, o primeiro é este.

OMG Uma Lista!

Ah ah, pois. Passaram-se anos sem eu fazer uma lista (não encontro a minha última, que terminou em 2010), mas no início deste mês de janeiro senti um chamamento. Serão os 30? Não sei, a verdade é que é uma lista modesta e humilde, que está mais preocupada com a minha saúde do que com grandes feitos e viagens. Aqui vão alguns itens. Outros são mais ou menos secretos.

Aprender a tocar acordeão diatónico
Fazer fisioterapia
Começar um desporto novo (yoga ou pilates)
Começar preparação de viagem à Arménia e Geórgia
Andar frequentemente de bicicleta
Fazer um podcast
Ler o Guerra e Paz
Ler Song of Myself do Walt Whitman
Passar som num bar com o Luís
Dançar a Valsa do Gelo com o Luís
Comer no mínimo três peças de fruta por dia
Terminar de ler o Game of Thrones
Aprender a assobiar com os dedos
Organizar um baile em Braga
Escrever três artigos
Visitar uma cidade nova em família
Descobrir a minha especialidade na cozinha
Fazer dois estudos experimentais para o PhD
Ler e devolver todos os livros emprestados
Ilustrar as minhas letras de música preferidas
Conduzir
Trocar de óculos
Piercing

 

Já comecei a riscar alguns itens. Devo dizer que ter começado a utilizar o Passion Planner me anda a ajudar bastante a não esquecer nada.

E, para quem não sabe, tenho este outro tasco, e neste tasco proponho-me a outros vôos.

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(Propaganda ao programa espacial russo, mas pareceu-me uma imagem cheia de força e esperança no futuro. Apropriado.)

 

A camisola

Acho que nunca mostrei a única camisola que fiz até agora. A lã que já fora três tentativas de camisola irritou-se e disse: Esquece tudo, agora vou ser uma camisola para a Joana, e foi.

Terminei-a o ano passado com menos glória do que tinha previsto – tanto que nem a mostrei a ninguém. Fi-la cuidadosamente, com as medidas e a cabeça de quem sabe que tempo perdido no início é tempo ganho no final. Mas enfim, o dom não é muito e ela está-me largueirona e não me assenta muito bem. Mas é quente, fica bem com camisas de xadrez, e fui eu que a fiz.

O modelo é muito bonito, o ponto fica muito bem num colete do género, e apesar de tudo é um orgulho tamanho vestir algo que se fez.

Lago dos Cisnes, Russian Classical Ballet

Aconteceu tudo muito depressa. Numa semana estava a ver um documentário sobre o ballet, e fiquei muito surpreendida com o que ouvi. Primeiro, que era uma dança viril, dançada exclusivamente por homens na corte. Depois, com a Revolução Francesa, os traços do ballet foram-se alterando, entrando então a figura da bailarina. Também na Rússia, o ballet era associado à família real, à graciosidade cortesã, ao poderio nobre e burguês.

No meio de tudo isto, o documentário é pontilhado por cenas de vários bailados clássicos, nomeadamente o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky. Eu digo alto “bolas, queria mesmo ver isto uma vez”. Dizem-me que está esta semana em Guimarães. O L. diz-me, não marques nada no sábado à noite. E não marquei, e a minha prenda de Natal foi ver o Lago dos Cisnes!

Ufa. E foi belíssimo. Como não frequento a cena clássica, estivemos antes do concerto a ler a sinopse na wikipedia, só para perceber o enredo. De resto, é uma mistura de teatro com o que a música já comunica naturalmente. Algumas coisas claras, outras não. Mas tudo grácil, belíssimo, impressionante.

O ballet é definitivamente das danças que mais me impressiona, porque é dificílimo conseguir aquele controlo do corpo, porque é certamente doloroso conseguir toda aquela força. Mas com todos os lindos vestidos, não há músculo nem sangue à vista. É só belíssimo.

2014

Normalmente não faço este tipo de balanços, mas como este poiso é um registo pessoal, por vezes sabe bem voltar atrás e ver o que se fez e o que se deixou por fazer.
2014 foi um ano bem cheio, bem inesperado mas tudo muito positivo.

1) Comecei um doutoramento (começamos, a empreitada está a ser a dois, com o mais individual que tem). A área é nova para mim, mas a minha disciplina, vontade de aprender e empenho é bem diferente do que era há cinco anos atrás. Sinto-me muito preparada para o que aí vem.

2) Profissionalmente os desafios foram constantes e aprendi muitas técnicas e ferramentas. Foi em trabalho que visitei um novo continente pela primeira vez. A paisagem marciana do Arizona juntamente com a simpatia de todos, todos sem exceção, deixaram-me com muita vontade de regressar aos EUA. Um dia. Com o L. e um carro.
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3) Vindimas. Uma amostra de vindimas mas foi feita com amigos que já não via há muito tempo. Passeámos um bocadinho, brincámos e e comemos muito, e bem.
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4) Regressei a Bratislava 4 anos depois. Consegui estar com o meu professor, os meus amigos – casados, com bebés, grávidos – e depois da vergonha inicial foi como sempre foi e sempre será. Tinha muitas saudades, gosto mesmo muito das pessoas que tenho por lá, e a Europa Central será sempre muito especial para mim.
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5) Polónia. Fui a um congresso a Cracóvia. Já por si uma nova experiência, pois nunca tinha ido a um congresso com tanta gente de referência. Depois, a cidade é muito jovem, fresca e perfeitamente habitável. Uma pequena surpresa, com muita história e muita vida em simultâneo.
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6) Exploradores. Comecei a liderar uma trupe de miúdos adoráveis. Gosto muito de pensar o que fazer com eles, como os motivar e desafiar. E gosto de os ouvir às escondidas, sabem coisas incríveis!

7) Vale da Teixeira, Calcedonia. Vi algumas destas coisas. Souberam muito bem, apesar de tão poucas.
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8) 10 anos de universidade. Houve um jantar para marcar este facto inacreditável. O de termos entrado na universidade há dez anos, de estarmos cada um no seu canto, mas ainda falar e rir como se nos juntássemos para mais um trabalho de grupo.

9) Smartphone. Comecei a tirar mais fotografias, vídeos, a utilizar o telemóvel como uma ferramenta para muita coisa. Mas ainda assim odeio escrever mensagens e mails onde não há botões.

Ceci n’est pas une résolution

Desativámos a Internet cá por casa. A altura é propícia a resoluções, mas não foi o caso. Além do descontentamento com o serviço, queríamos experimentar viver sem Internet.

Porque temos filmes para os próximos 4 anos, livros para duas vidas, fios de tricot para 30 camisolas e, enfim, um doutoramento cada um.

Não é minha intenção fazer o relato da “experiência”, mas talvez despolete artigos diferentes.

Continuaremos a estar conectados enquanto estivermos no local de trabalho.

Efeito #1, e já em jeito de serviço público: Estou vidrada nos podcasts da BBC World Service. Têm 30 minutos de duração e são perfeitos para deslocações, estender a roupa, adormecer, acordar…! Hoje já ouvi testemunhos das mães de jihadistas, um documentário sobre um hospital psiquiátrico em Guatemala e uma tertúlia sobre a heroicidade na 1GGM.

Acho que vou apostar nos podcasts no futuro próximo.