Category: para o futuro

Arménia

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Eu tenho, desde há muito tempo, uma fixação por um país pouco habitual. Não é exótico, não é muito quente nem muito frio. Não é bem europeu, não é bem asiático, não é bem. Faz fronteira com Bizâncio e Pérsia e o seu monte Ararat, reza a lenda, guarda a verdadeira Arca de Noé.

A Arménia (e a Geórgia, bem diferente mas anexa no meu fascínio) tem as minhas músicas tradicionais preferidas. Tem a Tamzara e belos Shorors. Tem as minhas danças preferidas (quer sejam mais encenadas ou mais populares), quase invariavelmente acompanhadas pelo instrumento mais triste, o duduk.

Foi um interesse que começou com a música e com a dança, curiosamente. Achava que aquelas músicas melodiosas, tristes, carregavam a história extraordinariamente longa e inacreditavelmente sofrida deste país, berço de tanta coisa.

Vou sempre lendo, dançando, vendo. Depois vejo que há quem mostre o país como ninguém, e há até quem lá vá dançar e passear!

Então comecei a fazer uma coisa que nunca faço, que são as contas à vida. E decidi que vai deixar de ser um interesse virtual, à distância, e vou lá. O guia está encomendado, os livros selecionados, e vai-me dar todo o gozo preparar esta viagem. Espero dar lá um saltinho em 2017. Percebe-se porquê, certo?

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OMG Uma Lista!

Ah ah, pois. Passaram-se anos sem eu fazer uma lista (não encontro a minha última, que terminou em 2010), mas no início deste mês de janeiro senti um chamamento. Serão os 30? Não sei, a verdade é que é uma lista modesta e humilde, que está mais preocupada com a minha saúde do que com grandes feitos e viagens. Aqui vão alguns itens. Outros são mais ou menos secretos.

Aprender a tocar acordeão diatónico
Fazer fisioterapia
Começar um desporto novo (yoga ou pilates)
Começar preparação de viagem à Arménia e Geórgia
Andar frequentemente de bicicleta
Fazer um podcast
Ler o Guerra e Paz
Ler Song of Myself do Walt Whitman
Passar som num bar com o Luís
Dançar a Valsa do Gelo com o Luís
Comer no mínimo três peças de fruta por dia
Terminar de ler o Game of Thrones
Aprender a assobiar com os dedos
Organizar um baile em Braga
Escrever três artigos
Visitar uma cidade nova em família
Descobrir a minha especialidade na cozinha
Fazer dois estudos experimentais para o PhD
Ler e devolver todos os livros emprestados
Ilustrar as minhas letras de música preferidas
Conduzir
Trocar de óculos
Piercing

 

Já comecei a riscar alguns itens. Devo dizer que ter começado a utilizar o Passion Planner me anda a ajudar bastante a não esquecer nada.

E, para quem não sabe, tenho este outro tasco, e neste tasco proponho-me a outros vôos.

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(Propaganda ao programa espacial russo, mas pareceu-me uma imagem cheia de força e esperança no futuro. Apropriado.)

 

2014

Normalmente não faço este tipo de balanços, mas como este poiso é um registo pessoal, por vezes sabe bem voltar atrás e ver o que se fez e o que se deixou por fazer.
2014 foi um ano bem cheio, bem inesperado mas tudo muito positivo.

1) Comecei um doutoramento (começamos, a empreitada está a ser a dois, com o mais individual que tem). A área é nova para mim, mas a minha disciplina, vontade de aprender e empenho é bem diferente do que era há cinco anos atrás. Sinto-me muito preparada para o que aí vem.

2) Profissionalmente os desafios foram constantes e aprendi muitas técnicas e ferramentas. Foi em trabalho que visitei um novo continente pela primeira vez. A paisagem marciana do Arizona juntamente com a simpatia de todos, todos sem exceção, deixaram-me com muita vontade de regressar aos EUA. Um dia. Com o L. e um carro.
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3) Vindimas. Uma amostra de vindimas mas foi feita com amigos que já não via há muito tempo. Passeámos um bocadinho, brincámos e e comemos muito, e bem.
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4) Regressei a Bratislava 4 anos depois. Consegui estar com o meu professor, os meus amigos – casados, com bebés, grávidos – e depois da vergonha inicial foi como sempre foi e sempre será. Tinha muitas saudades, gosto mesmo muito das pessoas que tenho por lá, e a Europa Central será sempre muito especial para mim.
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5) Polónia. Fui a um congresso a Cracóvia. Já por si uma nova experiência, pois nunca tinha ido a um congresso com tanta gente de referência. Depois, a cidade é muito jovem, fresca e perfeitamente habitável. Uma pequena surpresa, com muita história e muita vida em simultâneo.
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6) Exploradores. Comecei a liderar uma trupe de miúdos adoráveis. Gosto muito de pensar o que fazer com eles, como os motivar e desafiar. E gosto de os ouvir às escondidas, sabem coisas incríveis!

7) Vale da Teixeira, Calcedonia. Vi algumas destas coisas. Souberam muito bem, apesar de tão poucas.
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8) 10 anos de universidade. Houve um jantar para marcar este facto inacreditável. O de termos entrado na universidade há dez anos, de estarmos cada um no seu canto, mas ainda falar e rir como se nos juntássemos para mais um trabalho de grupo.

9) Smartphone. Comecei a tirar mais fotografias, vídeos, a utilizar o telemóvel como uma ferramenta para muita coisa. Mas ainda assim odeio escrever mensagens e mails onde não há botões.

Ceci n’est pas une résolution

Desativámos a Internet cá por casa. A altura é propícia a resoluções, mas não foi o caso. Além do descontentamento com o serviço, queríamos experimentar viver sem Internet.

Porque temos filmes para os próximos 4 anos, livros para duas vidas, fios de tricot para 30 camisolas e, enfim, um doutoramento cada um.

Não é minha intenção fazer o relato da “experiência”, mas talvez despolete artigos diferentes.

Continuaremos a estar conectados enquanto estivermos no local de trabalho.

Efeito #1, e já em jeito de serviço público: Estou vidrada nos podcasts da BBC World Service. Têm 30 minutos de duração e são perfeitos para deslocações, estender a roupa, adormecer, acordar…! Hoje já ouvi testemunhos das mães de jihadistas, um documentário sobre um hospital psiquiátrico em Guatemala e uma tertúlia sobre a heroicidade na 1GGM.

Acho que vou apostar nos podcasts no futuro próximo.

Fim-de-semana

Um dia diferente, com pintura, fotografia, música e voyeurismo

Com edífícios velhos onde nunca entráramos, com uma vida que nos faz pensar

Caramba

E se vivêssemos aqui?

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Fotografias do L., com manhas minhas.

Em Guimarães, a cidade de que voltei a gostar.

The end is the beggining is the end

 

Vou fazer um Doutoramento.

Decretei o ano de escrita da minha tese de Mestrado como o pior ano da minha vida.

No final da defesa disse a um dos júris que queria ser etnógrafa. Depois fui à biblioteca e trouxe as “Danças Portuguesas” de Pedro Homem de Mello, entre outros, para ler.

Repeti-me “Deixa lá isto”, da mesma forma que me repito “Esquece, tu não gostas de montanhas-russas”.

Vejo amigos em agonia, ou stress, ou pavor, prestes a terminar a sua tese de doutoramento.

 

Mas sempre fui inconsequente otimista.

Entretanto passaram-se cinco anos, experimentei coisas diferentes.

Tive trabalhos das nove às cinco, como queria. Mas começava a mirrar, em todos eles.

Cresci (um bocadinho). Sou mais dedicada (um bocadinho).

 

É um desafio, estou entusiasmada, estou comprometida.