Clarabóia, José Saramago (1953,2011)

Claraboia

Este livro tem uma história engraçada. Escrito em 1952, por um jovem Saramago, foi então recusado por uma editora. O manuscrito foi guardado, cada vez mais fundo nos confins da editora, até que o redescobrem, e propõem-se a editá-lo e Saramago terá dito “só por cima do meu cadáver” é que este livro será publicado. E assim foi, Clarabóia tornou-se no seu primeiro lançamento póstumo em 2011. Claro que eu só soube disto no final do livro, e durante toda a leitura, que foi tão agradável, tão meiga, tão sem aquelas provocações e deambulações do Saramago, achei que o personagem Silvestre, um velho e sábio sapateiro, era um reflexo do escritor no final da vida, a refletir sobre o que ela é, o que a faz valer a pena. Acontece que, se continuarmos o paralelismo cronológico, Saramago então poderia ser o jovem Abel, um pessimista, um niilista que vivia a “cortar tentáculos” com as coisas.

Como disse, o livro é meigo. A cadência é simples, as histórias miúdas. Retrata um prédio com os seus habitantes, famílias simples, pobres. No meio do deprimente, do triste, há sempre pequenos vislumbres do que estas pessoas são, que são mais do que a impressão que se tem delas. Têm sonhos, têm paixões, têm muita sabedoria e têm muita experiência. Têm vontades e tomam decisões. As histórias para lá das janelas e das portas de um prédio, são sempre muito mais complicadas do que o desenhamos rápido quando pensamos nelas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s