The Boxer: The True Story of Holocaust Survivor Harry Haft, Reinhard Kleist

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Herschel Haft nasceu na Polónia e tinha 14 anos quando a sua cidade de  Bełchatów foi das primeiras a ser invadida pelo exército nazi. No seio de uma família judia, rapidamente se viu condicionado pela pobreza e pela fome imposta pelos nazis. Com os seus irmãos, e após a morte do seu pai, montam um negócio de contrabando.

Assim vão vivendo, até que um dia todos os homens recebem uma notificação para se registarem. O seu irmão mais velho vai, e o jovem Hertzko, que ainda não tinha idade para ser convocado, começa a ouvir alguns homens dizer que quem se regista…já não volta. Temendo pelo irmão, Hertzko corre para o local do registo e encontra o seu irmão ainda à espera. Conta-lhe o que ouviu, e diz ao seu irmão para fugir. Decide então distrair os oficiais fingindo-se de bêbedo, e causa ali no meio da papelada algum celeuma, que o irmão aproveita para fugir. Os oficiais reparam, e decidem prender Hertzko para descobrir quem é que tinha fugido. Valente, não diz. Ao valente, entalam-lhe uma mão numa porta com toda a força. Valente, não diz nada. Ao valente, partem-lhe os ossos da outra mão, e ele continua sem dizer nada. “Não adianta”, pensam eles. “Vai este mesmo”. E atiram-no para um camião. Que depois será um vagão. Que depois se abrirá num campo de trabalho, o primeiro de muitos.

É assim, por acaso mas inevitável, que este miúdo de 14 anos fica completamente sozinho. Este rapazinho, impulsivo e tempestuoso, bronco mesmo, que não sabia ler nem escrever, tem o melhor instinto de sobrevivência, e desde a primeira viagem no vagão de gado decide que vai sobreviver – há uma menina envolvida, claro.

O seu primeiro trabalho é como Kommander, mas felizmente caiu nas graças de um oficial que o foi mudando para trabalhos mais leves a troco de alguma subtil pilhagem.

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Este mesmo oficial vê neste rapaz um potencial de entretenimento nos novos eventos de boxe das festas SS. Convida-o a lutar, treina-o, oferece-lhe umas luvas. Os companheiros de Hertzko aperceberam-se que ele é um protegido. Hertzko vai-lhes oferecendo o que pode, sabe que tem de estar bem com todos.

Chega o primeiro combate. Dizem-lhe que o seu oponente é um voluntário, lutará a troco de mais uma ração. Ao vê-lo, Hertzko percebe que não é voluntário nenhum. Está fraco, tão débil. Hertzko ganha o combate. Nunca mais vê o homem. Faz mais de 70 combates em campos de extermínio, ganha todos, nunca sabe o destino de quem perde. Desconfia.

E é esta a vida dele. Com o aproximar do exército vermelho as SS são cada vez mais duras, e as marchas da morte decorrem uma a seguir a outra. Ele vai sobrevivendo, com um dos irmãos. Com medo de morrer, decide fugir numa delas. E consegue. E vive escondido na floresta, mata, rouba, sobrevive e é encontrado por soldados americanos.

Vai para a América. Continua a praticar boxe. Luta contra o Rocky Marciano e perde.

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Casa-se, tem filhos. Nunca fala do que passou. É extremamente violento, pouco afetuoso. O filho tem vergonha dele, não gosta muito do que ele representa – o imigrante polaco que fala mal inglês e é o pobre dono de uma mercearia – mas só muito mais tarde descobre que o seu pai foi um dia “o animal judeu de Jaworzno “.

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A história é-lhe contada já em velho. Harry Haft (nome que adotou nos EUA), nunca leu outros relatos nem validou as suas memórias. Contou tudo tal e qual. E assim foi relatado, tal e qual, bronco, sem grandes emoções.

 

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