Where am I wearing?

Ontem terminei de ler um livro chamado “Where am I wearing?” de Kelsey Timmerman, o mesmo autor de “Where am I eating?”.

É um livro muito descontraído, nada presunçoso, sobre um americano que se começa a questionar sobre a manufatura da própria roupa em lugares tão distantes, e decide ir conhecer pessoalmente as pessoas que fizeram o que veste: a t-shirt nas Honduras, os boxers no Bangladesh, as calças no Cambodja, os chinelos na China e uns calções nos EUA.

A viagem é, obviamente, turbulenta porque encontra fábricas fechadas, abandonadas ou com altas medidas de segurança. Mas ainda assim, consegue-se esgueirar nas condições de vida e de trabalho das pessoas.

Eu estava a precisar de ler este livro. Com os anos, e não sei por que motivo, deixei de sentir prazer em comprar roupa. Se em adolescente comprava peças com muita frequência, agora apenas compro roupa on-line quando sinto que tem mesmo de ser – enfim, de vez em quando tenho de parecer profissional, e não uma miúda.

Mas desde há alguns meses que assumi a posição de boicote e via as etiquetas de todas as roupas e largava tudo que fosse feito fora da UE. Mas foi um boicote ignorante, que aliava a pouca vontade de comprar com a assunção de que era roupa feita em más condições, nas chamadas sweatshops.

O livro abriu-me os olhos em alguns sentidos, e não aqueles em que estava à espera.

A conclusão a que cheguei é que não se deve boicotar a compra de produtos feitos nestes países, deve-se sim tomar atitudes mais construtivas do que isso, e apoiar a criação de estruturas que dêem alternativas às pessoas que trabalham nestas fabricas. Quem aqui trabalha, fá-lo porque precisa de dinheiro, porque precisa de emprego para manter a família, normalmente numerosa. E se não tivesse este trabalho, não teria outra alternativa: normalmente são pessoas com poucas ou nenhumas habilitações e “empowerment”.

O autor perguntou a trabalhadores se gostariam que os consumidores boicotassem os seus produtos para que eles conseguissem melhores condições de trabalho. Eles não queriam, pois sabiam que assim perderiam a única oportunidade de ganhar algum dinheiro em cidades que apenas vivem de e para a indústria da roupa.

A Fair Labor Association faz questão que as marcas que recorrem a mão de obra barata cumpram as condições de segurança e qualidade no trabalho. Se tiverem curiosidade, estas são as marcas. E também fiquei bem impressionada com as condições da fábrica da Levi’s no Cambodja.

Não quero, contudo, deixar a impressão de que “não é assim tão mau”. É assim tão mau. Trabalham demasiado, ganham muito pouco, as condições de trabalho não são seguras.

Mas deste lado, nós enquanto consumidores devemos ser informados, e colaborar com o “empoderamento” destas comunidades. Para um dia conseguirem fazer algo diferente.

 

2 comments

  1. Pingback: Future Artist

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s