Displays of Evidence for Making Decisions – Pt. II

Displays of Evidence for Making Decisions – Pt. I

A 28 de Janeiro de 1986 o vai-vem espacial Challenger explodiu e sete astronautas morreram devido à erosão de dois anéis de borracha (O-rings, não sei a tradução). Estes anéis perderam resiliência porque o lançamento foi feito num dia muito frio.

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Autorização de lançamento

No dia anterior, vendo as temperaturas previstas para o dia do lançamento, os engenheiros que construíram o vai-vem aconselharam a agência governamental responsável, NASA,  a adiar a empreitada. Tinham diversas indicações de que este poderia correr mal: história da degradação do O-Ring em lançamentos anteriores, a física da resiliência, e dados experimentais. Estas informações foram enviadas por fax para a NASA em 13 tabelas.

Apesar de ser a única recomendação de cancelamento em 12 anos por parte do construtor do vai-vém, altos oficiais da NASA ficaram muito surpreendidos, apontaram muitas falhas nas tabelas enviadas, e sugeriram que a recomendação deveria ser reconsiderada.

E foi. Na manhã seguinte, o Challenger explodiu 73 segundos após ignição, efeito das baixas temperaturas nos O-Rings.

Explosão do Challenger, 73 segundos após ignição

Tufte enumera uma série de erros nas 13 tabelas enviadas. Ora porque não tinham identificação, e era difícil de atribuir responsabilidade a alguém por aquela decisão, ora porque davam 3 nomes diferentes ao mesmo vai-vém. Podemos ver alguns exemplos em baixo. Muito pouco exemplificativos da tendência para erosão que já havia nos O-Rings em situações de baixas temperaturas.

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Algumas das tabelas e informações enviadas para a NASA no dia anterior, a sugerir o cancelamento do lançamento do Challenger

A certo ponto, oficiais e engenheiros da NASA focaram-se não nos dados da erosão, mas nos dados do “blow-by” – outra tradução que me escapa, desculpem. E verificaram que no lançamento feito com a temperatura mais alta, verificou-se blow by, da mesma forma que no lançamento feito no dia mais frio. Os dados de blow-by, para este caso, eram irrelevantes, e desviaram a atenção do que era realmente crítico.

Estas 13 tabelas não conseguiram impedir o lançamento, mas quem os fez tinha razão: Estavam a pensar casualmente, mas não estavam a ilustrar casualmente.

Tufte recolheu informação presente nas tabelas e em relatórios posteriores, e organizou-a em função da temperatura, assim:

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Informação recolhida por Tufte e organizada em função da temperatura

Deste modo vemos claramente que há mais casos de erosão quando as temperaturas são mais baixas.

Nesta matriz (também elaborada por Tufte), ainda é mais evidente esta relação: a temperatura prevista estava completamente fora dos dados acumulados e arquivados ao longo de 24 lançamentos.

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A mesma informação, mas apresentada numa matriz

Após o acidente, vieram as comissões presidenciais para as habituais investigações. As ilustrações elaboradas por elas cometiam o mesmo erro:  faltam legendas, não é clara a relação causa-efeito e estão mal ordenadas.

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Ilustrações elaboradas pela Comissão Presidencial que investigou o caso Challenger

Vejam só o que aconteceria se esta  informação fosse ordenada por temperatura – a variável em questão – em vez de por data.

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Mesma informação organizada por ordem de temperatura

Será que alguém se atreveria a lançar o Challenger se os dados fossem apresentados de outra forma?

Although we often hear that data speak for themselves, their voices can be soft and sly.

– Frederick Mosteller, Stephen E. Fienberg, and Robert E.K. Rourke, Beginning statistics with Data Analysis (Reading, Massachusetts, 1983), 234

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