Displays of Evidence for Making Decisions – Pt. I

Acabei de ler um capítulo de um livro de Edward R. Tufte (“Visual and Statistical Thinking: Displays of Evidence for Making Decisions”, capítulo 2 do livro “Visual Explanations: Images and Quantities, Evidence and Narrative”, publicado em 1997). A temática interessa-me muito e Tufte é o nome clássico da Visualização de Dados, da Informação e une duas coisas que sempre me despertaram a atenção: Design e Cognição.

Como transmitir informação da melhor forma, tendo em conta limites que temos naturalmente (perceção, atenção, memória), e tendo o cuidado que esta seja limpa, transparente e principalmente, compreensível.

Neste caso, Tufte fala de duas situações para ilustrar uma boa e uma má utilização da informação: a epidemia de cólera de Londres em 1854 e o lançamento da shuttle Challenger em 1986.

No primeiro caso, John Snow fez um admirável trabalho de detetive ao tentar descobrir a origem da epidemia.

Segundo Tufte, colocou os dados num contexto adequado para retirar relações de causa e efeito: os dados originais listavam os nomes das vítimas ordenados por data de óbito. Isto poderia conduzir a displays baseados no tempo, cronologias da epidemia como os gráficos em baixo. Contudo, a passagem do tempo não é uma variável explanatória, inútil até, quando o objetivo é descobrir uma estratégia de intervenção.

Nova imagem

O que John Snow fez foi marcar as mortes num mapa, onde sinalizava também a localização das 13 bombas de água da vizinhança (na imagem em baixo, os traços representam o número de mortos em cada casa, e as bombas de água são os círculos, vejam ali perto do D de Broad Street)

Registo das mortes resultantes da Epidemia de Cólera em Londres (John Snow, 1854)

A associação entre cólera e a localização dos poços é evidente neste mapa, e permite-nos comparar este cenário com outros locais com bombas de água e sem mortes devido a cólera.

Além de analisar porque morriam as pessoas, Snow questionava-se também porque não morriam pessoas na mesma vizinhança, e falou do caso em concreto da cervejaria, a amarelo no mapa.

Yep.o diretor da cervejaria permitia que os funcionários bebessem um bocadinho de cerveja…e é claro que assim nenhum bebia água quando tinha sede.

Face às evidências, Snow sugere que se retire a bomba de água de Broad Street.

E aqui é que começam as manipulações de gráficos engraçadas.

untitled

Nesta quantificação diária de mortes, podemos ver que quando retiraram a bomba de água de Broad Street, já se verificava uma tendência para o número de mortes diminuir a cada dia. Isto porque rapidamente as pessoas fugiram à epidemia, ficando o bairro com cada vez menos pessoas. Portanto, não é claro se a diminuição de mortes se deveu exclusivamente à remoção da bomba de água.

E se os gráficos fossem construídos da seguinte forma?

untitled2

Numa agregação por semana, parece mesmo que a diminuição de mortes se deveu à remoção da bomba de água.

A varíavel tempo é extremamente sensível à escolha de intervalos. E podemos ver aqui como é fácil manipular o display de modo a transmitir pontos de vista favoráveis…

2 comments

  1. Pingback: Displays of Evidence for Making Decisions – Pt. II | Future Artist

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s