America

Uma longa e inesperada história levou-me ao Arizona por uns breves 4 dias.
O bafo que nos lambe o corpo, as retas infinitas, a beleza da paisagem árida – ora branca, ora marciana.
Quis o azar que fosse nesta irrepetível viagem que “experimentasse” um rolo fora de prazo.

 

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Se ela acredita que é outro país

“Conheci meus avós maternos, avó Glória e avô João, avó vendia frutas na Ponte do Bico e nas feiras aonde a nossa mãe a ajudava indo para as feiras Ponte da Barca Braga Senhora do Alívio e outras e ainda trabalhava nos campos de sol a sol com chuva frio ou sol e nosso avô era pedreiro trabalhava em Palmeira fazendo paralelos e meios fio de estradas gostava de uns copinhos todos os dias quando chegava em casa já tocado as vezes punha todos fora de casa uma noite passando pela Ponte do Bico apareceram 3 homens querendo assaltar como ele não tinha dinheiro queriam jogá-lo pela ponte mas um dos homens conheceu-o e não deixou esse homem se chamava Pirolo salvou várias pessoas de morrer afogado no rio Homem.

Tem uma estória que eu ouvia que nosso avô João, por questão de uma pessoa queria maltratar um gato. Houve uma briga com esse senhor muito mais forte que meu avô, aí ele sacou pistola e atirou nele onde ele morreu esse senhor. Era irmão do meu professor do primário em Braga.

Conheci a nossa mãe ainda jovem era bonita alegre muito trabalhadora era uma guerreira o nosso avô comprou uma carroça com cavalo para ir para as feiras mas não deu muito certo o cavalo quando passava pela tasca do nosso pai na ponte do bico enpancava só saia se desse uma tigela de vinho com pão.

Meus avós paternos conheci pouco porque avia pouca convivência com eles sei que tinham 6 filhos

Pai Augusto – Tio António – Tia Tonha – Tia Margarida – Tia Noémia e Tia Palmira, mãe da prima Guida e pela parte Materna Tio Custódio Tio Porfírio outro que não conheci foi para Espanha época de guerra outro no Brasil e a mãe

Em 1947 fomos para Braga Rua dos Marchantes n.º 34 foi estudar escola da Sé minha professora era Dona Marcela foi com ela até 4ª classe passei bem, depois foi para o Porto trabalhar com tio Alfaia até 1958 depois foi para exército

Fiquei no infantaria 8 Braga quando estava de serviço a minha mãe me trazia um sanduíche da casa da sra que ela trabalhava deixava de comer para me dar enfim foi uma guerreira apesar de não saber ler e escrever em contas não tinha igual depois que fiz exército o tio Luiz me mandou a carta de chamada e foi para o Brasil na época da guerra colonial 1960 escapei por pouco se não tinha que ir para Moçambique ou Angola cheguei no Brasil perto do meu aniversário 18/11/60 e me fizeram uma festa que nunca tinha tido pois na época não existia essas coisas escovar dentes só depois que foi para o quartel mas tenho os dentes perfeitos.

Me lembro em 1947 na época da 2ª guerra mundial tudo precisava de senhas para compra de tudo para consumo eu e o pai saímos 6 horas da manhã íamos de lavrador em lavrador para conseguir 1 kilo de pão teve uma ocasião que as senhas que o pai guardava numa caixa sumirão e achou que foi eu que peguei levei uma tareia tão grande depois as senhas apareceram e ele veio me pedir desculpas mas não faz mal estudei em Lago no primário ia descalço para escola pisando na neve mas na época era assim não avia outra maneira mas a gente era feliz e não sabia

Sempre esperando o Natal punha sapato na janela mas nunca tinha nada na época era assim mesmo o que importa foi a educação que tivemos pobres mas honrados

Meu pai esteve no Brasil ficou pouco tempo vinha com dinheiro trabalhou numa fábrica de linguiças um dia ele viu um rato na Salmoura e resolveu jogar fora as carnes pois foi despedido aí foi trabalhar como cobrador dos eléctricos aí ele foi cobrar o bilhete a um preto e ele ameaçou o pai de morte o pai pediu as contas e saiu não era batalha para ele aí veio para Portugal. Onde se estabeleceu na Ponte do Bico com tasca aonde tinha de tudo onde ele trouxe do Brasil um gramofone onde tinha bastante gente para escutar as músicas as Pipas de vinho estavão no andar de cima e ele fez uma adaptação com mangueira e torneira e o vinho descia pela mangueira com torneira, na época era inédito no país o pai se casou com a minha mãe e eu foi ao casamento num carroça o casamento foi em Amares foram morar em Soutelo na casa do Sr. Carvalho que era Padrinho do Álvaro nessa casa foi onde nasceu a Rosa e os outros irmãos nasceram na rua dos Marchantes n.º 34 ao lado da casa da tia Palmira mãe da Prima Guida ai o pai comprou uma roleta para ir nas festas isso foi um pesadelo um ramo que não era dele foi eludido com um conhecido depois foi para o Areal montou uma tasca onde eram 5 irmãos eu na época estava trabalhando no Porto também essa tasca não deu certo enfim a mãe na época vendia frutas no mercado antigo onde hoje é a câmara depois foi para o mercado novo épocas difíceis.”

Race for the South Pole: The Expedition Diaries of Scott and Amundsen (Roland Huntford)

Amundsen no Pólo Sul

Que leitura esplêndida e fresca nesta altura do ano. Se é sempre complicado agarrarmo-nos a um diário, neste caso deixa de o ser: estamos perante a competição mais épica da história moderna.

Em 1911 Amundsen e Scott preparam-se para serem os primeiros a chegar ao Pólo Sul, o último lugar na terra por conquistar.

Para o primeiro, norueguês, significava uma conquista importante para um país que adquirira recentemente a independência, mas acima de tudo, era um desafio pessoal.

Para Scott, o clássico englishman, era uma oportunidade para mostrar a grandiosidade britânica, na altura com o maior império colonial. Uma empreitada que pedia a heroicidade clássica, não sem o seu quê de sofrimento.

O autor do livro é extremamente parcial. O livro emparelha os diários de Scott e Amundsen, no mesmo dia. Amundsen era um homem de poucas palavras, pelo que a perspetiva nórdica foi complementada com os diários de Bjaaland, um campeão de ski com um sentido de humor terrível (maravilhoso!). Este diário foi pela primeira vez traduzido para inglês, à semelhança do de Amundsen, na íntegra.

Pontualmente, após vários relatos, o autor intervinha e comentava com comparações. Claro que a balança saía sempre a vencer para uma pessoa apenas: Amundsen.

E é o que nos faz o livro, deixa-nos completamente fãs de Amundsen.

[SPOILERS]

Senão vejamos. Amundsen começa por ser incrível por desafiar patrocinadores e ordens superiores de explorar o Pólo Norte. Apenas tendo o seu irmão como confidente, decide rumar ao Pólo Sul. Informa a sua frota apenas quando páram na Ilha da Madeira, e felizmente, todos alinham nesta rebelia deliciosa.

Scott, já avançado, descobre na Austrália que tem companhia na sua odisseia. Instala-se a competição, claro que muito subrepticiamente. Scott escrevia como se o seu único rival fosse Shackleton, o explorador britânico que anos antes tinha chegado mais a sul na Antártida – mas não ao Pólo.

As diferenças entre as duas expedições são imediatamente visíveis.

Amundsen estuda a cultura esquimó, prepara-se adequadamente, escolhe a dedo os poucos homens que o devem acompanhar, e adota um estilo de liderança muito aberto, sem segredos e sem decisões sem explicação. Oriundos da terra onde o ski é desporto nacional, todos o dominam. E todos são unânimes na importância que os cães “doggies” poderiam vir a ter na expedição.

Scott escolhe póneis. Traz alguns cães por teimosia de outrém. Traz motorizadas que nunca haviam sido experimentadas em neve. Traz uma expedição com dezenas de homens, poucos com competências úteis para a realização do objetivo. Muitos com todas as competências e mais algumas para a expedição científica que, por fachada, era.

O resultado não podia ser outro. A expedição norueguesa muito mais pequena, mais funcional e bem equipada, chegou primeiro ao Pólo Sul, com reservas de cerca de 500% a mais caso as coisas não corressem como planeado. Regressaram rapidamente ao ponto de partida, pois sabiam que não bastava serem os primeiros a chegar, tinham de ser os primeiros a dar a notícia. A expedição chegou intacta, com menos cães apenas.

Scott chegou muito mais tarde. Teve de matar os póneis pelo caminho. Pouco a pouco matou todos os cães. Acabaram por ser os seus homens a puxar os trenós. Andavam muito menos, cansavam-se mais, demoravam muito mais. As reservas não as suficientes, e a meio do caminho decidiu convidar mais um homem, reduzindo as rações de todos. Morreram todos a 11 milhas do próximo posto, o One Ton Depot. Subnutrição, desidratação, escorbuto, queimaduras. (E muita má língua, Scott!)

Fica a moral de Amundsen: “Victory awaits him who has everything in order. Luck, people call it. Defeat is certain for him who has neglected to take the necessary precautions in time. This is called “Bad Luck.”

Scott no Pólo Sul

Prove

Lentamente todo o círculo, eu incluída, vai aderindo ao PROVE.

Ter um cabaz de legumes e fruta frescos semanalmente ou quinzenalmente é, para quem vivena cidade, um privilégio. A sensação é a de abrir um presente, ver o que nos reservam os pratos dos próximos dias. E descobrir formas de cozinhar tudo, mesmo aquilo que não conheces, ou nunca comeste!

prove

Eu tenho um problema na cozinha. Não sou nada criativa, só sei seguir receitas. Por isso ter estes limites é um desafio cujos resultados têm sido satisfatórios: a última semana foi rica em favadas, couves salteadas, embrulhadas e em saladas, e batatas de todo o tipo e feitio!

nhami.

Poeira, carne e ossos

Queria escrever sobre o concerto que vimos Domingo.

Raramente temos a sorte de (re)descobrir um artista, viver uma daquelas fases de loop no leitor e, pouco depois, vê-lo ao vivo.

O concerto foi muito silencioso, pouca conversa, pouca gente. No final da primeira canção já estava a pensar que poderia terminar ali, e eu ficaria já satisfeita, já feliz. Mas seguiram-se muitas, as minhas preferidas, e pouco depois estava a pensar em vários cantores, e em como o Matt Elliott tinha a voz mais bonita de todos eles. Hm hm, assim o elegi, e mantenho a opinião.

Vejam o vídeo. Vejam como se verga e se ergue. Mas acima de tudo, como canta.